Gênero discursivo Diálogos Didáticos:
por uma abordagem intercultural e decolonial
DOI:
https://doi.org/10.26512/rhla.v24i2.55990Palavras-chave:
Diálogos Didáticos, Sequências Dialogais, Abordagem Intercultural, Abordagem DecolonialResumo
Neste estudo, desejamos analisar de que forma cinco Diálogos Didáticos (doravante DDs) propostos em um livro de PLAc, por meio das sequências dialogais construídas nesse gênero discursivo, trazem vestígios de interculturalidade e de decolonialidade. No âmbito teórico, frisamos que o gênero discursivo Diálogos Didáticos, composto por sequências dialogais (Adam, 2011), deveria se associar a uma concepção genérica que – à luz das vertentes socio-histórica, dialógica (Bakhtin, 2010), sociorretórica e cultural (Miller, 1984; Bazerman, 2004) – integre princípios interculturais e decoloniais. No âmbito metodológico, elegemos, a partir de um enquadre epistêmico qualitativo, a Análise de Discurso Crítica como método, o que prevê não só articular texto, prática discursiva e prática social (Fairclough, 2001), mas também identificar dado problema, buscar elementos semióticos para a análise e voltar o olhar para a prática social (Bessa; Sato, 2018). No âmbito analítico, os DDs, mesmo com planos composicionais muito similares, apresentaram idiossincrasias quanto aos conteúdos temáticos, às manifestações estilísticas e às ações retóricas tipificadas. Assumimos que, além de focalizar os atributos formais e funcionais de cada DD, podemos, em sala de aula, abordar diferentes visões socioculturais, oferecer acessibilidade linguístico-textual, ressaltar as relações de poder, instigar a desnaturalização de narrativas hegemônicas e incentivar o posicionamento crítico.
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