Crenças no ensino de Português como Língua de Acolhimento
o panorama brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.26512/rhla.v25i1.57949Palavras-chave:
Crenças, língua de acolhimento, formação docenteResumo
Os fluxos migratórios adquiriram grande magnitude na última década e, em razão disso, o Brasil sofreu consequências políticas e linguísticas em seu panorama educacional. Por isso, este estudo visa investigar as crenças emergentes no ensino de Português como Língua de Acolhimento (PLAc), a fim de delimitar um breve e atual panorama educacional brasileiro de ensino de PLAc. Para tanto, o artigo faz uma análise temática (Savin-Baden; Major, 2013), reunindo as contribuições de Grosso e Ançã (2010) e Cabete (2010) no que tange à investigação e caracterização da língua de acolhimento, bem como Borg (2006; 2012) e Barcelos (1995; 2007) relativos às crenças no ensino de línguas. Esta análise revelou que existe um abismo entre produção teórica e prática docente em PLAc no Brasil, e que esse fato está atrelado à deficiente formação dos professores de línguas.
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