A perspectiva do Inglês como Língua Franca na oralidade:
análises de atividades em um livro didático para o Ensino Médio
DOI:
https://doi.org/10.26512/rhla.v24i2.55353Palavras-chave:
Inglês como língua franca, Oralidade, Livro didáticoResumo
O Inglês como Língua Franca (ILF) é compreendido como qualquer uso da língua inglesa onde ela sirva como meio de comunicação entre falantes que, em sua maioria, não a possuem como língua de nascimento. Tal perspectiva, adotada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018), gera discussões nas áreas de ensino e aprendizagem de línguas e influencia a produção de materiais didáticos. Diante disso, este artigo objetiva analisar três unidades do livro didático (LD) JOY! (Oliveira, 2020) utilizado no Novo Ensino Médio (NEM) no estado de Santa Catarina, com foco no eixo da oralidade. O estudo tem origens na pesquisa de mestrado de Aniecevski (2023) e, neste recorte, foi ampliado de modo a responder a seguinte pergunta: Como as atividades de oralidade presentes neste LD se relacionam com a perspectiva do ILF? Os resultados sugerem que algumas atividades permitem um trabalho alinhado ao ILF, especialmente aquelas que valorizam o repertório linguístico e cultural dos estudantes e utilizam recursos multimodais. No entanto, o LD apresenta lacunas na apresentação e reconhecimento dos diferentes usos da língua inglesa (LI) para além das variedades de prestígio tradicionalmente definidas como nativas.
Downloads
Referências
ANIECEVSKI, M. Atividades de oralidade na perspectiva do Inglês como Língua Franca: uma análise de um livro didático para o Novo Ensino Médio. 2023. 130 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Pato Branco-PR, 2023.
BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, p. 3, 20 fev. 1998a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm. Acesso em: 25 jul. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira. Brasília: MEC/SEF, 1998b.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Orientações Curriculares para o Ensino Médio: linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEB, 2006.
BRASIL. Decreto nº 9.099, de 18 de julho de 2017. Dispõe sobre o Programa Nacional do Livro e do Material Didático. Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, p. 3, 19 jul. 2017a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/d9099.htm. Acesso em: 25 jul. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017b.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Resolução nº 12, de 7 de outubro de 2020. Dispõe sobre o Programa Nacional do Livro e do Material Didático – PNLD. Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, n. 194, p. 66, 8 out. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/resolucoes/2020/resolucao-ndeg-12-de-07-de-outubro-de-2020/view. Acesso em: 25 jul. 2025.
BUSCH, B. Building on heteroglossia and heterogeneity: the experience of a multilingual classroom. In: BLACKLEDGE, A.; CREASE, A. (Ed.). Heteroglossia as Practice and Pedagogy. Dordrecht, NL, Springer, 2014. v. 20. p. 21-40.
CALVET, L. J. As políticas linguísticas. São Paulo: Parábola, 2007.
CALVO, L. C. S.; EL KADRI, M. S.; GIMENEZ, T. Inglês como Língua Franca na sala de aula: sugestões didáticas. In: EL KADRI, M. S.; PASSONI, T. P.; GAMERO, R. (Org.). Tendências contemporâneas para o ensino de Língua Inglesa: propostas didáticas para a Educação Básica. Campinas, SP: Pontes Editores, 2014. p. 299-316.
COHEN, L.; MANION, L.; MORRISON, K. Research Methods in Education. 6nd. ed. London: Routledge, 2007.
DUBOC, A. P. M. Atitude curricular: letramentos críticos nas brechas da formação de professores de inglês. 2012. 258 f. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
DUBOC, A. P. M. Falando francamente: uma leitura bakhtiniana do conceito de “inglês como língua franca” no componente curricular língua inglesa da BNCC. Revista da Anpoll, Florianópolis, ano 2019, v. 1, n. 48, p. 10-22, maio 2019.
EL KADRI, M. S.; PASSONI, T. P.; GAMERO, R. (Org.). Tendências contemporâneas para o ensino de língua inglesa: propostas didáticas para a educação básica. Campinas, SP: Pontes Editores, 2014.
GIMENEZ, T. English language teaching and the challenges for citizenship and identity in the current century. Acta Scientiarum, Maringá-PR, v. 23, n. 1, p. 127-131, 2001.
GIMENEZ, T. English as a Lingua Franca in the Brazilian National Curriculum: a literature review (2018-2024). Árboles y Rizomas, Santiago, Universidad de Santiago de Chile, v. 7, n. 1, p. 129-143, 2025.
GIMENEZ, T. et al. Inglês como Língua Franca: desenvolvimentos recentes. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, [S.l.], v. 15, n. 3, p. 593-619, 2015.
GIMENEZ, T.; PASSONI, T. P. Competing discourses between English as a Lingua Franca and the “English without Borders” program. In: TSANTILA, N.; MANDALIOS, J.; ILKOS, M. (Ed.). ELF: Pedagogical and interdisciplinary perspectives. Athens: Deree-The American College of Greece, 2016. p. 122-128.
GODOY, A. S. Pesquisa qualitativa: tipos fundamentais. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, p. 20-29, 1995.
GRADDOL, D. English Next. London: British Council, 2006.
HOGETOP, M. As expressões idiomáticas nos livros didáticos de LE/LA e interculturalidade: uma discussão a partir da perspectiva sociocultural. Web Revista Sociodialeto, Cáceres, v. 9, n. 27, p. 64-78, 2019.
JENKINS, J. Repositioning English and multilingualism in English as a Lingua Franca. Englishes in Practice, [S.l.], v. 2, n. 3, p. 49-85, 2015.
JENKINS, J. The Phonology of English as an International Language. Oxford: Oxford University Press, 2000.
JENKINS, J.; COGO, A.; DEWEY, M. Review of Developments in Research into English as a Lingua Franca. Language Teaching, Cambridge, v. 44, n. 3, p. 281-315, 2011.
LIMA, J. R. Correção de pronúncia e a da identidade do aluno de letras. In: LIMA, D. C. de (Org.). Ensino e aprendizagem de Língua Inglesa: conversa com especialistas. 11. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. cap. 8. p. 69-78.
MCKAY, S. L. Toward an appropriate EIL pedagogy: Re‐examining common ELT assumptions. International Journal of Applied Linguistics, London, Wiley-Blackwell, v. 13, n. 1, p. 1-22, 2003.
MEGALE, A.; EL KADRI, M. S. Escola bilíngue: e agora? (trans)formando saberes na educação de professores. São Paulo: Fundação Santillana, 2023.
OLIVEIRA, D. de A. S. (Org.). Joy: Obra específica de Língua Inglesa – Manual do Professor. São Paulo: FTD, 2020.
PINTO, M. da G. O plurilinguismo: um trunfo? Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 48, n. 3, p. 369-379, 2013.
RAJAGOPALAN, K. O inglês como língua internacional na prática docente. In: LIMA, D. C. de (Org.). Ensino e aprendizagem de Língua Inglesa: conversa com especialistas. 11. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. cap. 4. p. 39-46.
RAMOS, A. A. L. Língua adicional: um conceito “guarda-chuva”. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, Brasília, v. 13, p. 233-267, 2021.
RICENTO, T. (Ed.). An introduction to language policy: theory and method. Oxford: Blackwell, 2006.
ROSA, G. da C.; DUBOC, A. P.; SIQUEIRA, S. Inglês como Língua Franca (ILF) em campo: reflexos e refrações na BNCC. Perspectiva, Florianópolis, v. 41, n. 1, p. 1-25, 2023.
SALLES, M. R.; GIMENEZ, T. Ensino de inglês como língua franca: uma reflexão. Revista BELT, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 26-33, 2010.
SANTOS, I. B.; FERREIRA, M. M. Níveis de Proficiência em Inglês no Brasil e na Argentina: uma questão de reputação global. Fronteira: Journal of Social, Technological and Environmental Science, Anápolis-GO, v. 12, n. 1, p. 287-301, 2023.
SEIDLHOFER, B. Double Standards: teacher education in the Expanding Circle. World Englishes, Hoboken, v. 18, n. 2, p. 233-245, 1999.
SEIDLHOFER, B. Understanding English as a Lingua Franca. Oxford: Oxford University Press, 2011.
SEIDLHOFER, B. Closing a conceptual gap: The case for a description of English as a Lingua Franca. International journal of applied linguistics, [S.l.], v. 11, n. 2, p. 133-158, 2001.
SIFAKIS, N. ELF Awareness in English Language Teaching: Principles and Processes. Applied Linguistics, Oxford, v. 40, n. 2, p. 288-306, 2017.
SIFAKIS, N. Metacognitive and metalinguistic activities can raise ELF awareness: why and how. Journal of English as a Lingua Franca, Berlim, v. 12, n. 1, p. 43-66, 2023.
SIQUEIRA, S. Inglês como língua internacional: por uma pedagogia intercultural crítica (english as an international language: for a critical intercultural pedagogy). Estudos Linguísticos e Literários, Salvador, n. 52, 2015. DOI: 10.9771/2176-4794ell.v0i52.15557.
TODESCHINI, I. Interculturalidade e o Inglês como Língua Franca: considerações sobre um livro didático de língua inglesa. 2020. 140 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Pato Branco-PR, 2020.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista Horizontes de Linguistica Aplicada

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.

Artigos publicados pela Revista Horizontes de Linguística Aplicada são licenciados sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Ao publicar na Horizontes de Linguística Aplicada, os autores concordam com a transferência dos direitos autorais patrimoniais para a revista. Os autores mantêm seus direitos morais, incluindo o reconhecimento da autoria.
Autores e leitores têm o direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- NãoComercial — Você não pode usar o material para fins comerciais .
- SemDerivações — Se você remixar, transformar ou criar a partir do material, você não pode distribuir o material modificado.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.


