O espaço da pragmática na aula de língua estrangeira:
possibilidades para a aprendizagem intercultural por meio da atenção ao input
DOI:
https://doi.org/10.26512/rhla.v24i2.55394Palavras-chave:
consciência, noticing, pragmática, percepção, julgamentoResumo
A sala de aula de língua estrangeira se configura como um espaço de encontro de diferentes línguas e culturas e, consequentemente, de diferentes formas de se participar na comunicação. A pragmática, alinhada ao componente gramatical da linguagem, pode auxiliar o aprendiz tanto na compreensão quanto na negociação e produção de sentidos. Considerando que os aprendizes de inglês podem não perceber elementos de ordem pragmática presentes em textos (orais, escritos e imagéticos), este artigo analisa a contribuição da instrução explícita para o desenvolvimento da percepção pragmática de aprendizes de inglês. A pesquisa, de cunho quali-quanti, foi realizada com estudantes de Letras Português/Inglês de uma universidade pública, divididos em dois grupos: um experimental (nível avançado) e um controle (nível intermediário-avançado). A metodologia incluiu uma fase pré-instrucional, uma fase de intervenção via instrução explícita, realizada somente com o grupo experimental, e uma fase pós-instrucional. Os resultados, advindos do teste de percepção e julgamento, revelaram que a instrução explícita, focada no noticing, contribuiu significativamente para o desenvolvimento da percepção pragmática dos estudantes do grupo experimental. Tal resultado aponta para a possibilidade de se planejarem aulas de inglês focadas no desenvolvimento do aprendiz intercultural, que precisa aliar os componentes gramaticais e pragmáticos para conferir e produzir sentidos em uma sociedade cada vez mais multicultural.
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