Intervenções em clínica humanista-fenomenológica do trabalho: estudo em universidades públicas nordestinas
DOI:
https://doi.org/10.26512/lc31202555638Palavras-chave:
Trabalho, Profissionais de Educação, Instituições de Ensino, Pesquisa Qualitativa, FenomenologiaResumo
Objetivou-se descrever processos grupais em uma clínica humanista-fenomenológica do trabalho, discorrendo sobre os sentidos das experiências vividas e dos resultados obtidos por docentes e pós-graduandos de universidades públicas nordestinas que participaram de uma pesquisa fenomenológica interventiva. O método utilizado foi a hermenêutica colaborativa. Cada grupo realizou encontros semanais de duas horas. Os instrumentos foram: a Versão de Sentido (breve relato escrito pelo participante após um encontro), os registros em prontuários e os diários de bordo produzidos pela facilitadora. Compreendeu-se, principalmente, que, para os participantes, a universidade pode gerar adoecimento por ser contraditória e conflitante. Houve reconhecimento de uma vida para além do labor, a conscientização de tentativas de autocuidado para minimizar impactos na saúde mental, questionamentos sobre a responsabilidade pessoal diante da realidade e necessidade de quebrar paradigmas. Além disso, os grupos interventivos foram espaços humanizados, acolhedores e favorecedores de ampliação de vínculos. Reconhece-se, portanto, a importância desses grupos para a promoção da saúde mental nas universidades públicas.
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