Fundamentos metodológicos para emancipação: uma práxis revolucionária para a psicologia na escola
DOI:
https://doi.org/10.26512/lc32202656352Palavras-chave:
Psicologia Escolar, Psicologia Crítica, Pedagogia CríticaResumo
No contexto da Lei Federal 13935/19, a discussão sobre a presença da psicologia nas escolas levanta debates sobre a atuação a ser desenvolvida pelos profissionais. Partimos do argumento de que a psicologia na escola deve estar ancorada em uma práxis libertadora, e para isso, necessita de fundamentos metodológicos bem delineados, para a construção do quefazer do psicólogo de forma crítica e responsável. Diante dessa necessidade, os tais fundamentos precisam representar uma epistemologia ancorada na historicidade da realidade concreta e no protagonismo do sujeito para a construção do conhecimento, implicando um posicionamento ético-político profissional. O presente trabalho é um ensaio teórico-metodológico, cujo objetivo é articular três fundamentos metodológicos: o Materialismo Histórico-Dialético (MHD), a Pesquisa Ação-Participação (PAP) e a Epistemologia Qualitativa (EQ), os quais guiam a prática libertadora da psicologia na escola implicada com a transformação da realidade. Essa articulação confere à atuação e à pesquisa dentro do campo escolar um caráter crítico e emancipatório.
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