Alteridades, discursos e saberes na formação de intérpretes de Libras-Português experientes
DOI :
https://doi.org/10.26512/belasinfieis.v10.n2.2021.28504Mots-clés :
Estudos da Interpretação. Interpretação de Língua de Sinais. Dialogismo. Ergologia. Autoconfrontação.Résumé
Este artigo tem como objetivo apresentar a análise enunciativo-discursiva, empregada em uma tese de doutorado, de uma situação de formação continuada de intérpretes de língua brasileira de sinais (Libras)-língua portuguesa (LP) experientes em um curso de especialização. Para tanto, realizou-se uma articulação teórico-metodológica entre os Estudos Bakhtinianos, a Ergologia e os Estudos da Interpretação para adaptar o dispositivo da Autoconfrontação, originalmente elaborado no contexto da Clínica da Atividade Francesa, para investigar a relação de trabalhadores com sua própria atividade. O dispositivo foi adaptado para uma situação de formação para o trabalho em que intérpretes intermodais experientes sem formação universitária no campo buscam nesse curso um espaço de aprimoramento de suas práticas. A pesquisa foi organizada em três fases: (i) composição de três duplas para realizar a interpretação de discursos em Libras a partir de três gêneros discursivos (discurso de formatura, discurso político de militância e prosaico opinativo); (ii) realização da autoconfrontação simples, quando os sujeitos da atividade interpretativa assistiram suas interpretações e teceram comentários sobre o que fizeram; e (iii) realização da autoconfrontação cruzada, quando os observadores junto com o professor/pesquisador comentaram sobre o que os sujeitos durante a interpretação. Os enunciados foram organizados a partir das três categorias bakhtinianas de alteridade: (i) eu-para-mim, promovidas pela autoconfrontação simples; (ii) eu-para-o-outro e (iii) outro-para-mim, observadas no âmbito das autoconfrontações cruzadas. Neste artigo, apresenta-se o recorte da análise da fase III pelas lentes do item (ii) que foi constituída de discursos de um dos participantes do grupo, enquanto observador, sobre as atividades de interpretação realizadas por uma das duplas na autoconfrontação cruzada.
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