Ação social no enfrentamento à catástrofe climática de maio de 2024 na Região Metropolitana de Porto Alegre: construção do plano de contingência do Assentamento Filhos de Sepé para a resiliência socioambiental
DOI:
https://doi.org/10.18472/SustDeb.v16n2.2025.58048Palavras-chave:
Enchentes, Curricularização da extensão, Metodologias participativas, Mudanças climáticas, Territórios coletivosResumo
Eventos climáticos extremos são decorrentes dos efeitos das mudanças climáticas, os quais vêm se tornando frequentes e severos, como aconteceu na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Nesse território sociobiodiverso, territórios coletivos, como os assentamentos de reforma agrária, foram drasticamente impactados. Nesse contexto, objetiva-se analisar a ação social no processo de construção do plano de contingência do Assentamento Filhos de Sepé, considerando os impactos e estratégias adotados. A metodologia consistiu em trabalho de campo com sistematização e análise das etapas de construção participativa do plano de contingência. O assentamento mostrou sua capacidade responsiva e de solidariedade com os demais assentamentos e territórios, implementando estratégias de cozinhas solidárias, costura coletiva, brigadas de apoio, resgate animal e produção de mudas nativas. A organização social histórica, baseada na organização popular, permitiu a construção de um plano de contingência participativo como resposta da sociedade civil organizada, vindo a contribuir para a resiliência socioambiental dos territórios da RMPA.
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