Conflitos no campo brasileiro: uma análise geográfica a partir dos dados da Comissão Pastoral da Terra – CPT

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/revistainsurgncia.v11i1.55942

Palavras-chave:

Conflitos pela terra, Conflitos pela Água, Movimentos sociais do campo

Resumo

Este artigo analisa os conflitos no campo brasileiro com base em dados organizados e publicizados pela Comissão Pastoral da Terra no período 1985-2023. Buscamos desenvolver uma análise geográfica dos conflitos pela terra e pela água ao longo do período, destacando também as ações dos movimentos sociais do campo. Do ponto de vista metodológico, nos apoiamos no materialismo histórico e dialético. A análise aponta para a conformação de dois padrões de conflitividade, um no qual prevalecem os processos expropriatórios comandados pelo capital; e outro no qual a luta pela terra se materializa na conquista de assentamentos rurais, demarcação de terras indígenas e reconhecimento de territórios quilombolas. Assim, concluímos que a violência no campo é resultado da expansão do latifúndio/agronegócio e não da ação dos movimentos sociais como pregam as elites brasileiras.

Biografia do Autor

Paulo Alentejano, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil

Professor Titular do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ (DGeoFFP/UERJ) e dos Programas de Pós-Graduação em Geografia da FFP/UERJ e em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe da Unesp, em parceria com a Escola Nacional Florestan Fernandes - ENFF. Coordenador do Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Geografia Agrária (GeoAgrária). Integrante do Grupo de Trabalho de Assuntos Agrários da Associação dos Geógrafos Brasileiros das Seções Rio e Niterói (GTAgrária/AGB) e da Diretoria da AGB-Rio.

Lucas Siqueira, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil

Graduando em Licenciatura em Geografia pela Faculdade de Formação de Professores do Estado do Rio de Janeiro (UERJ/FFP). Bolsista de Extensão do Projeto Bibliotecas Populares nos Assentamentos Rurais do Rio de Janeiro. Integrante do Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Geografia Agrária (GeoAgrária) da Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo (FFP-UERJ). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Agrária.

Roberta Lines, Rede Pública de Maricá, Maricá, Rio de Janeiro, Brasil

Mestre em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP-UERJ), professora do ensino básico da Rede Pública de Maricá-RJ e integrante do Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Geografia Agrária (GeoAgrária) da Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo (FFP-UERJ).

Emilly Fegalo Pires Matos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil

Graduanda na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Bolsista do Projeto de Estágio Interno Complementar Educação do Campo. Integrante do Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Geografia Agrária (GeoAgrária) da Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo (FFP-UERJ).

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Publicado

30.03.2025

Como Citar

ALENTEJANO, Paulo; SIQUEIRA, Lucas; LINES, Roberta; MATOS, Emilly Fegalo Pires. Conflitos no campo brasileiro: uma análise geográfica a partir dos dados da Comissão Pastoral da Terra – CPT. InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, Brasília, v. 11, n. 1, p. 185–213, 2025. DOI: 10.26512/revistainsurgncia.v11i1.55942. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/insurgencia/article/view/55942. Acesso em: 3 abr. 2025.

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