O corpo como implosão do mundo

ontologia do presente, imaginação literária feminista e fabulações eróticas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/emtempos.v1i39.39173

Palavras-chave:

Corpo. Feminismo. Erotismo.

Resumo

O presente artigo tem como objetivo pensar o corpo como espaço de resistência a partir das formulações fornecidas por Michel Foucault em relação ao que ele denomina como uma “ontologia do presente”. A crítica genealógica realizada pelo autor abre caminhos para pensarmos em novas formas de subjetividade, estabelecendo movimentos de transgressão em relação às práticas normativas da sociedade ocidental e ao seu imaginário e racionalidade cristãos. Nesse sentido, a crítica feminista encontra-se com o pensamento de Foucault para problematizar a captura dos corpos e do erotismo, especialmente no campo da imaginação literária. Assim, buscamos analisar a escrita de algumas autoras brasileiras, com o objetivo de entender como elas promoveram e promovem desestabilizações das categorias estigmatizadoras sobre a corporeidade, possibilitando práticas de liberdade e outros modos de subjetivação que produzem novos imaginários sociais.

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Biografia do Autor

Fábio Gonzaga Gesueli, UNICAMP

Doutorando em História pela Universidade Estadual de Campinas, Mestre em Ciências da Religião e Licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Varlei Rodrigo do Couto, UNICAMP

Mestre em História Cultural e doutorando em História pela Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2021-12-13

Como Citar

TREVISAN, G. S.; GESUELI, F. G.; COUTO, V. R. do. O corpo como implosão do mundo: ontologia do presente, imaginação literária feminista e fabulações eróticas . Em Tempo de Histórias, [S. l.], v. 1, n. 39, 2021. DOI: 10.26512/emtempos.v1i39.39173. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/emtempos/article/view/39173. Acesso em: 6 out. 2022.