“Racista, sim! Eugenista!”: reflexões sobre a circulação e a recepção da tela “A Redenção de Cam” (1895) nas redes sociais
DOI :
https://doi.org/10.26512/emtempos.v25i47.57595Mots-clés :
Recepção artística, Redes sociais, Opinião públicaRésumé
Um estudo exploratório, este artigo tem como objetivo apresentar algumas reflexões sobre a atual opinião pública diante da circulação e a recepção da tela “A Redenção de Cam” (1895) nas redes sociais digitais, sobretudo no Facebook e Instagram. Pintura a óleo produzida no final do século XIX, o quadro é parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Amplamente conhecida por tematizar o embranquecimento racial no Brasil, a imagem mobiliza os olhares dos observadores e provoca debates, especialmente na atualidade. Em tempos de ativismo virtual contra o racismo, foram aferidas 649 publicações, 1.359 comentários e aproximadamente 979 compartilhamentos agrupados em três eixos analíticos,
nomeados de reação, correlação e apropriação. A partir dessas categorias, são investigadas as ações afetivas e sensoriais originadas da observação artística, como a proposição de diálogos entre a obra e o tempo presente, além das contranarrativas propostas pelos agentes virtuais.
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