“Racista, sim! Eugenista!”: reflexões sobre a circulação e a recepção da tela “A Redenção de Cam” (1895) nas redes sociais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/emtempos.v25i47.57595

Palavras-chave:

Recepção artística, Redes sociais, Opinião pública

Resumo

Um estudo exploratório, este artigo tem como objetivo apresentar algumas reflexões sobre a atual opinião pública diante da circulação e a recepção da tela “A Redenção de Cam” (1895) nas redes sociais digitais, sobretudo no Facebook e Instagram. Pintura a óleo produzida no final do século XIX, o quadro é parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Amplamente conhecida por tematizar o embranquecimento racial no Brasil, a imagem mobiliza os olhares dos observadores e provoca debates, especialmente na atualidade. Em tempos de ativismo virtual contra o racismo, foram aferidas 649 publicações, 1.359 comentários e aproximadamente 979 compartilhamentos agrupados em três eixos analíticos,
nomeados de reação, correlação e apropriação. A partir dessas categorias, são investigadas as ações afetivas e sensoriais originadas da observação artística, como a proposição de diálogos entre a obra e o tempo presente, além das contranarrativas propostas pelos agentes virtuais.

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Biografia do Autor

Miguel Lucio dos Reis, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP, Franca). Mestre em História Social pela Universidade Federal de Uberlândia (2022), onde foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Licenciado em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (2018). O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Brasil (CAPES).

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Publicado

2026-04-07

Como Citar

REIS, Miguel Lucio dos. “Racista, sim! Eugenista!”: reflexões sobre a circulação e a recepção da tela “A Redenção de Cam” (1895) nas redes sociais. Em Tempo de Histórias, [S. l.], v. 25, n. 47, p. 110–140, 2026. DOI: 10.26512/emtempos.v25i47.57595. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/emtempos/article/view/57595. Acesso em: 8 abr. 2026.

Edição

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