Tradução literária e variação linguística em One Christmas Eve, de Langston Hughes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/belasinfieis.v9.n1.2020.26738

Palavras-chave:

Tradução comentada. Oralidade. Variação linguística. Socioleto literário. Langston Hughes.

Resumo

Este trabalho apresenta algumas reflexões sobre a nossa tradução do conto One Christmas Eve, de Langston Hughes (1902-1967), parte da obra The Ways of White Folks (1934). Temos como objetivo analisar a possibilidade de representação de variedades linguísticas nos sistemas literários fonte e alvo (americano e brasileiro) e explorar soluções tradutórias para tais variedades, ligadas à representação de grupos de fala, compreendendo sua legitimidade, sistematicidades e entendendo que elas caracterizam os falantes no texto literário. São discutidas teorias da tradução que tratam de marcas de oralidade (BANDIA, 2015; ROSA, 2015) e de variação linguística em relação ao African American Vernacular English (AAVE) e ao português brasileiro (BAGNO, 2012; EZGETA, 2012; LABOV, 1972; LUCCHESI, 2009). Primeiramente, apresentamos o contexto de produção da obra e as questões raciais, sociais e ideológicas que este suscita. Além disso, discutimos alguns aspectos das fases literárias do autor e a influência da Harlem Renaisssance e do movimento modernista norte-americano na escrita do conto aqui apresentado e traduzido. Em seguida, examinamos as variedades linguísticas presentes no texto-fonte e alvo e os aspectos que orientaram nossas escolhas, tendo como princípio norteador marcar a alteridade no texto e evitar uma tradução que realize uma homogeneização dos modos de fala e que apague identidades veiculadas pela representação da linguagem falada no texto literário. Com isto, consideramos o ato de tradução como aquele que estabelece um texto em outra cultura a partir de uma reescrita do texto-fonte, um ato que vê a língua a partir de sua dimensão cultural e social. A partir disso, situamos a nossa prática tradutória a partir da perspectiva de que os tradutores têm um papel ativo e ativista frente à homogeneização das línguas e ao apagamento de identidades de grupos marginalizados ao decidirem por recriar a pluralidade de vozes textuais, tendo em vista a tradução como um lugar privilegiado em que duas instâncias se encontram e podem ser examinadas por uma abordagem analítica e crítica.

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Biografia do Autor

Carolina Paganine, Universidade Federal Fluminense

Doutora em Estudos da Tradução (2011) pela Universidade Federal de Santa Catarina. Bacharel em Letras/ Tradução ”“ Inglês (2004) pela Universidade de Brasília. Realizou pesquisa de pós-doutorado (2012-2013) na Universidade Federal de Santa Catarina. Professora adjunto IV na Universidade Federal Fluminense. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.

Isadora Fortunato, Universidade Federal Fluminense

Mestranda em Ciências da Linguagem (início em 2019) pela Universidade Federal Fluminense. Graduada em Letras Português ”“ Inglês (2017) e graduanda em Letras Português ”“ Literaturas pela Universidade Federal Fluminense. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.

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Publicado

24-01-2020

Como Citar

GEAQUINTO PAGANINE , C.; MOREIRA FORTUNATO, I. . Tradução literária e variação linguística em One Christmas Eve, de Langston Hughes. Belas Infiéis, Brasília, Brasil, v. 9, n. 1, p. 33–49, 2020. DOI: 10.26512/belasinfieis.v9.n1.2020.26738. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/belasinfieis/article/view/26738. Acesso em: 7 ago. 2022.