Reflexões sobre o diálogo intersubjetivo em competência em informação: uma leitura a partir de Martin Buber e Jugen Habermas
DOI:
https://doi.org/10.26512/rici.v19.n2.2026.61617Palavras-chave:
Competência crítica em informação, Diálogo subjetivo, Filosofia do diálogo, Competencias subjetivasResumo
O tema da competência em informação tem sido debatido a partir de estabelecer um novo ethos. Ele se volta também para o diálogo, visando estabelecer pontes na prática efetiva da ecologia dos saberes. Contudo, os fenômenos que emergem dessa realidade líquida e incerta, são (inter)subjetivos e demandam reflexão conjunta e colaborativa com os mais distintos saberes reflexivos e atores sociais, em suas formas de interpretar o mundo. Na tentativa de analisar a questão, emergem duas perguntas. 1) Como tornar mais efetivo o diálogo entre a competência em informação e a sociedade? 2) Como tornar esse diálogo mais amplo e aumentar a sua credibilidade? A proposição desse tema tem o objetivo de se aproximar das possíveis respostas a essas duas perguntas por meio da análise do contexto de “ciência pós-normal” e a sua relação com “competência crítica da informação” na (re) leitura da filosofia do diálogo de Martin Buber, que, de certa forma, inspirou Jurgen Habermas em seu conceito de comunicação para uma democracia deliberativa. A partir das duas leituras, concluímos que: O diálogo em competência da informação se tornará mais efetivo se observar princípios (inter)subjetivos baseados em valores e virtudes dialógicas. Nos discursos dos autores (Buber e Habermas) emergem três dimensões intersubjetivas importantes para tornar o diálogo mais efetivo em competência crítica em informação: competências para a alteridade, para a compaixão e para a empatia; e que a partir delas, em vivência fenomenal, se alcança a credibilidade nas ações dialógicas, favorecendo um diálogo mais acolhedor, participativo e democrático.
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