Marx e a inteligência artificial

notas sobre o trabalho na Quarta Revolução Industrial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/rfmc.v13i2.57664

Palavras-chave:

Karl Marx. Quarta Revolução Industrial. Inteligência artificial. Precarização do trabalho.

Resumo

A expansão da inteligência artificial e da automação na Quarta Revolução Industrial redefine o mercado de trabalho, intensificando a precarização e a desigualdade. Inspirado na crítica marxista, o artigo analisa como novas formas de trabalho baseadas em plataformas digitais, metodologias ágeis e gamificação reproduzem mecanismos de controle, alienando trabalhadores e fragmentando direitos. Apesar do discurso otimista de Klaus Schwab (criador do termo Quarta Revolução Industrial), que enxerga na tecnologia uma força emancipatória, a realidade evidencia desemprego estrutural, polarização de renda e condições laborais degradantes. O texto expõe ainda um paradoxo: ao substituir humanos por máquinas, o capitalismo mina seu próprio mercado consumidor, gerando uma crise sistêmica. Conclui-se que, sem transformações radicais no modo de produção, a tecnologia seguirá servindo à concentração de poder, distante de um projeto coletivo de emancipação.

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Biografia do Autor

Cristian Arão, Universidade de Brasília

Doutor em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com pós-doutorado no projeto Inteligência Artificial: Desafios Filosóficos no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade de Brasília (UnB). Atualmente, atua como professor substituto na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Sua linha de pesquisa concentra-se nas implicações sociais, epistemológicas e políticas da inteligência artificial. Em 2025, publicou o livro "IA entre fantasmas e monstros: como os algoritmos precarizam o trabalho e alimentam o autoritarismo".

Referências

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Publicado

21-10-2025

Como Citar

ARÃO, Cristian. Marx e a inteligência artificial: notas sobre o trabalho na Quarta Revolução Industrial. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, [S. l.], v. 13, n. 2, p. 465–490, 2025. DOI: 10.26512/rfmc.v13i2.57664. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/fmc/article/view/57664. Acesso em: 4 fev. 2026.

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