As raízes, o sentido e os frutos da 'Filosofia da Natureza' de Hegel
um percurso de Goethe a Marx
DOI:
https://doi.org/10.26512/rfmc.v13i3.61248Palavras-chave:
Capitalismo. Natureza. Materialismo. Emergência climática.Resumo
O presente esboço visa à apresentação, embora sumária, do contexto de surgimento (Goethe), dos traços principais e, por fim, da influência imediata (Marx), das pesquisas de Hegel sobre a filosofia e as ciências da natureza. É forçoso lembrar que todo o contexto da filosofia alemã da natureza foi soterrada, ao longo do XIX, pelo positivismo, e só começou a ser redescoberta por volta da década de 1970, época marcada pela ascensão das discussões ecológicas. Em vista desse cenário, pode-se dizer sem exagero que a filosofia alemã da natureza é ainda uma novidade no debate filosófico internacional, e um terreno a praticamente a ser inaugurado na discussão brasileira. Em virtude da iminência do ocaso climático atual tornou-se, acredito, uma tarefa urgente mapear e desenvolver metodologias que ofereçam diagnósticos e alternativas à autocompreensão filosófica e científica do metabolismo contraditório e autodestrutivo entre o modo de produção capitalista e a exterioridade natural.
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