Do fim da privacidade à colonização do eu
DOI:
https://doi.org/10.26512/rfmc.v13i2.55221Palavras-chave:
Capitalismo de Vigilância. Colonização da subjetividade. Neoliberalismo. Subjetividade.Resumo
Este artigo analisa como as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) têm desempenhado papel central na transformação das condutas individuais e coletivas nas sociedades tecnológicas contemporâneas. Questiona-se por que há uma aceitação quase consensual dessas tecnologias, mesmo diante de evidências de seu uso para fins políticos e mercadológicos. Parte-se da hipótese de que está em curso uma forma de dominação psíquica, que Nora Merlin denomina “colonização da subjetividade”. A análise baseia-se em autores que investigam a psicodinâmica das massas, os dispositivos inconscientes de sujeição e os mecanismos simbólicos de controle social. Conclui-se que a colonização do eu, intensificada pelo capitalismo de vigilância, fragiliza a autonomia crítica e impõe novos desafios à democracia.
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