Arquitetura entre plano, truque e finta

estratégias de hackeamento espacial a partir da obra “Inserções em circuitos ideológicos” de Cildo Meireles

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18830/issn.1679-0944.n33.2022.09

Palavras-chave:

Projeto de arquitetura, Hacker, Estratégia política

Resumo

Nesse artigo, argumentamos que uma conciliação racional pelo ‘plano’ é apenas um modo de atuação arquitetônica, isto é, há ao menos outros dois modos que podem ser considerados ao projetar: tanto o ‘truque’ dissimulado que dissocia declaração de operação; quanto a ‘finta’ que abertamente declara sua oposição, mas que ginga marginalmente como forma de desvia-la e vence-la. Além disso, defendemos que embora sejamos treinados majoritariamente para projetar por planos, os contextos e desafios urbanos contemporâneos têm nos exigido saber atuar por truques e fintas – especialmente nas condições políticas do Sul Global. Esse artigo pretende, portanto, auxiliar na construção teórica dessas duas outras maneiras de projetar. Para isso, revisa a proposta teórica de Keller Easterling sobre ‘hackeamento espacial’ e propõe que a obra de Cildo Meireles “Inserções em circuitos ideológicos” pode ser considerada como importante referência político/estética para o truque e a finta arquitetônicos, pois oferece lições para uma construção teórica sobre a diferença entre ambas.

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Biografia do Autor

Cauê Capillé, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo

Cauê Capillé é professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU UFRJ) e no Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (PROURB FAU UFRJ), onde integra o grupo de pesquisa Urbanismo, Crítica e Arquitetura (UrCA). Arquiteto e urbanista pela FAU UFRJ (2011); PhD em Arquitetura pela Bartlett UCL (2016); Pós-Doutorado FAPERJ Nota 10 no PROURB FAU UFRJ (2017-18); Urban Studies Foundation Fellow na ENSA Paris Malaquais (2021-22); Pesquisador Visitante no Royal College of Art (2021-22). Sua pesquisa e ensino abordam sobre a relação entre projeto arquitetônico, teorias políticas e urbanas e condições urbanas comuns. Seus trabalhos, projetos e orientações receberam prêmios e foram expostos em diferentes ocasiões, incluindo: Bienal Iberoamericana; Bienal de Arquitetura de São Paulo; e RIBA President's Awards for Research. Co-autor de “Rio Metropolitano: guia para uma arquitetura” (2013) e “Cidade Pós-Compacta: Estratégias de projeto a partir de Brasília” (2021).

Mariana Cruz, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo

Mariana Cruz é graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU UFRJ). Desde 2019 participa da pesquisa "Arquitetura do estado de trânsito" no grupo de pesquisa Urbanismo, Crítica e Arquitetura (UrCA) no PROURB FAU UFRJ, onde é bolsista PIBIC-UFRJ desde 2020. Atualmente compõe a equipe do escritório Bernardes Arquitetura, além de colaborar desde 2020, no escritório Atelier de Arquitetura e Desenho Urbano.

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Publicado

2022-10-21

Como Citar

Capillé, C. ., & Cruz, M. (2022). Arquitetura entre plano, truque e finta: estratégias de hackeamento espacial a partir da obra “Inserções em circuitos ideológicos” de Cildo Meireles. Paranoá, 1(33), 1–19. https://doi.org/10.18830/issn.1679-0944.n33.2022.09