Entre a criminologia midiática e o racismo de estado: o caso dj Rennan da Penha

Autores

Palavras-chave:

Rennan da Penha, Criminologia midiática, Racismo de Estado, Necropolítica, Epistemicídio

Resumo

Em 2019, o DJ Rennan da Penha foi acusado de associação ao tráfico de drogas no Complexo do Alemão. Este trabalho tem como objetivo analisar a reverberação da cobertura midiática que envolveu a prisão do DJ. Os materiais dessa pesquisa concentram-se em sites de notícias das mídias corporativas e alternativas, cujo estudo foi realizado através do emprego da análise de discurso foucaultiana. Como resultado de pesquisa, tem-se que as mídias corporativas estabelecem uma criminologia midiática, uma vez que constroem rótulos e etiquetas que corroboram com o reforço de estereótipos de indivíduos pretos e pobres no Brasil. Por outro lado, as mídias alternativas estabelecem discursos críticos que vão ao encontro de conceitos como racismo de Estado, necropolítica e epistemicídio.

Biografia do Autor

João Paulo de Oliveira Mendes, Universidade Federal de Viçosa. Rio Paranaíba, Minas Gerais, Brasil

Graduando de Administração na Universidade Federal de Viçosa, campus de Rio Paranaíba. Membro fundador do Movimento Estudantil Negro (MOVEN) na Universidade Federal de Viçosa, campus de Rio Paranaíba em 2016.

Lays Matias Mazoti Corrêa, Universidade Federal de Viçosa, Rio Paranaíba, Minas Gerais, Brasil

Docente assistente da Universidade Federal de Viçosa, campus de Rio Paranaíba-MG. Doutorado em Ciências Sociais pela UNESP, mestre em História pela UNIOESTE e licenciada em História pela UFMS. Docente adjunto do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFV, campus de Rio Paranaíba-MG.

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Publicado

07.10.2022

Como Citar

DE OLIVEIRA MENDES, João Paulo; MATIAS MAZOTI CORRÊA, Lays. Entre a criminologia midiática e o racismo de estado: o caso dj Rennan da Penha. InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, Brasília, p. 1–26, 2022. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/insurgencia/article/view/43305. Acesso em: 14 abr. 2024.

Edição

Seção

Em Defesa da Pesquisa

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