A imperfeição da aristocracia

argumentos antagônicos entre Hobbes e Montesquieu em “Do Cidadão” e “Do Espírito das Leis”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/rfmc.v13i3.59898

Palavras-chave:

Filosofia Política, Filosofia Moderna, República, Monarquia, Democracia

Resumo

Este estudo busca compreender por que Hobbes e Montesquieu chegaram a conclusões opostas sobre a aristocracia, enquanto concordam que ela é imperfeita em si mesma; ambos chegam a exprimir de modo parecido suas conclusões, o primeiro afirmando que a aristocracia precisa se afastar da democracia e se aproximar da monarquia, enquanto o segundo que ela deve se afastar da monarquia e se aproximar da democracia. Assim, faz-se uma abordagem panorâmica da teoria política dos dois filósofos e então adentra-se de modo mais atento nos capítulos em que levam às referidas conclusões. Os resultados encontrados apontam que eles criticam aspectos diferentes da aristocracia: Hobbes problematiza sua necessidade de deliberação, também presente em maior grau na democracia, o que faz com que defenda mais enfaticamente o governo monárquico; já Montesquieu problematiza a natureza contraditória da aristocracia em ser uma república fundada na desigualdade, sendo uma versão incompleta da república ideal, a democracia.

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Biografia do Autor

Nathaniel Lovatto, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutorando em Filosofia pela UFRGS, bolsista CAPES/PROEX, investiga a concepção normativa de democracia em Montesquieu. Mestre em Filosofia pela UFFS, pesquisou a respeito das funções da intentio na teoria agostiniana da alma, com bolsa CAPES/DS, tendo sua dissertação aprovada cum laude. Na mesma instituição, se licenciou em Filosofia, analisando a concepção de alma em Agostinho. Seus estudos atuais concentram-se em teoria democrática, republicanismo e federalismo, com interesses abrangendo filosofia política, filosofia da mente e ontologia.

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Publicado

20-02-2026

Como Citar

LOVATTO, Nathaniel. A imperfeição da aristocracia: argumentos antagônicos entre Hobbes e Montesquieu em “Do Cidadão” e “Do Espírito das Leis”. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, [S. l.], v. 13, n. 3, p. 13–48, 2026. DOI: 10.26512/rfmc.v13i3.59898. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/fmc/article/view/59898. Acesso em: 18 mar. 2026.

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