A hidra vermelha e a luta dos livros: a guerra pela memória e os legados de uma percepção conspiratória da redemocratização brasileira
DOI:
https://doi.org/10.26512/emtempos.v25i47.59148Palavras-chave:
Redemocratização. Teoria da Conspiração. Anticomunismo.Resumo
O artigo analisa a percepção de militares vinculados aos serviços de informação e repressão da ditadura militar brasileira acerca do processo de redemocratização, compreendido por eles como uma continuidade da chamada “guerra revolucionária” por outros meios. A partir de uma análise qualitativa do livro ‘A Hidra Vermelha’ e de documentos do Centro de Informações do Exército,
investiga-se como essas narrativas buscaram disputar a memória do período ditatorial e interpretar a transição democrática como uma tentativa de tomada de poder pelo comunismo. Argumenta-se que tais leituras constituem um tipo de teoria da conspiração ou mitologia política, marcada pela redução da complexidade histórica, pela construção de bodes expiatórios e por uma compreensão distorcida das relações de poder. Ao final, sustenta-se que essa percepção militar da redemocratização legou uma leitura conspiratória, ressentida e fantasiosa da chamada Nova República, cujos efeitos se projetam no debate político contemporâneo, especialmente na difusão do discurso do “marxismo cultural” e do negacionismo da ditadura.
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