A metáfora da sustentabilidade e o uso imobiliário do território: planejamento urbano possível no Noroeste, Distrito Federal
DOI:
https://doi.org/10.26512/patryter.v9i17.60147Palavras-chave:
resíduos sólidos; planejamento urbano; Lixo Zero; Setor Noroeste.Resumo
O artigo analisa a utilização recorrente e metafórica da noção de sustentabilidade no planejamento urbano. Investiga-se sua apropriação discursiva pelos usos imobiliários do território no Setor Noroeste de Brasília, DF, enquanto estratégia de valorização capitalista do espaço. Elemento empírico de análise, o enfoque na problemática dos resíduos sólidos torna-se representativo das contradições entabuladas pelas dinâmicas dos usos do território, das quais metáforas e conceitos-obstáculos dissumulam a compreensão de sua complexidade histórica. Propõe-se, assim, a incorporação do olhar da Geografia como forma de integrar dimensões sociais, culturais e afetivas de um planejamento urbano possível, ao enfatizar as relações entre as demandas da população e os princípios do movimento Lixo Zero. A pesquisa revela uma crescente conscientização e mobilização social em torno da gestão de resíduos sólidos, um dos principais problemas da região, sinalizando potenciais alternativos para a implementação de novas práticas de gestão de resíduos.
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