Campo-cidade, circuito inferior da economia urbana e a Feira do Produtor de Ceilândia como patrimônio-territorial do DF

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/patryter.v5i10.40004

Palavras-chave:

rural-urbano. patrimônio-territorial. feira livre. ruralidade neoliberal. urbanização.

Resumo

As feiras livres se desenvolvem geralmente em áreas periféricas das cidades latino-americanas, resultando da resistência da pequena produção agrícola frente à urbanização e o rural neoliberal que marcam a atual fase da colonialidade no continente latino-americano. Nestas áreas, pobreza urbana e pobreza rural formam nexos territoriais que possibilitam a sobrevivência destas populações e de sua cultura, por dentro do capitalismo periférico. O artigo tem como objetivo analisar o fenômeno das feiras livres a partir do caso singular da “Feira do Produtor e Atacadista de Ceilândia”, na cidade de Brasília-DF. Metodologicamente, utilizamos o conceito de patrimônio-territorial e a teoria dos circuitos da economia urbana para revisar os dados empíricos, levantados por meio de entrevistas semiestruturadas e observação direta. Identificamos que a referida feira constitui ponto de articulação de processos de resistência e reafirmação da cultura popular, propiciando trabalho e consumo para parte da população marginalizada na periferia da capital do Brasil.

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Biografia do Autor

Arthur Lino Silva Junior, Universidade de Brasilia, UnB, Brasil.

Geógrafo pela UnB.

Renan Amabile Boscariol, Instituto Federal de Brasilia, IFB, Brasil.

Professor doutor do IFB, Brasilia.

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Publicado

26-07-2022

Como Citar

Silva Junior, A. L., & Boscariol, R. A. (2022). Campo-cidade, circuito inferior da economia urbana e a Feira do Produtor de Ceilândia como patrimônio-territorial do DF. PatryTer, 5(10), 145–159. https://doi.org/10.26512/patryter.v5i10.40004

Edição

Seção

Artigos