Acesso à justiça e luta por novas formas de reconhecimento: famílias não monogâmicas e decisões estatais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/revistainsurgncia.v12i1.60240

Palavras-chave:

Direito de Família, Não monogamia, Trisais, Acesso à justiça, Bigamia

Resumo

O artigo analisa as barreiras simbólicas e jurídicas enfrentadas por trisais no acesso à justiça no Brasil. A partir de entrevistas com famílias não monogâmicas e da análise de decisões recentes de 2025, assim como do CNJ em 2018, discute-se como a monogamia opera como princípio estruturante do campo jurídico, produzindo exclusão e insegurança. Mostra-se que, diante da ausência de reconhecimento, essas famílias constroem estratégias alternativas de proteção, como contratos de sociedade, e enfrentam o paradoxo de precisarem se desfazer juridicamente para existir afetivamente. Conclui-se, contudo, que, apesar das resistências institucionais, algumas famílias não monogâmicas têm conseguido vitórias pontuais no Judiciário, indicando uma lenta abertura para novas formas de reconhecimento.

Biografia do Autor

Igor Alves Pinto, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

Atualmente em estágio pós-doc PIPD-UFRJ pelo PPGD. Doutor em Direito (2023) pelo Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da UFRJ. Mestre (2015) na linha de "Direitos Humanos, Sociedade e Arte" do PPGD - UFRJ. Realiza pesquisa em Direito Civil com destaque para estudos a partir da pesquisa empírica e análise de decisões. Professor substituto de Direito Civil pela Faculdade Nacional de Direito - UFRJ (2019-2021). Membro Consultor da Comissão Especial de Direito Civil da OAB Nacional (2020 em diante). Autor do livro "O Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e sua luta por justiça: O que lutar quer dizer?" (2022). Faz parte do “Núcleo de Cultura Jurídica” (NCJ) e do Grupo de pesquisa “Políticas, afetos e sexualidades não monogâmicas” (UFJF).

Referências

BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

BORNIA JR, Dardo Lorenzo. 2018. Amar é verbo, não pronome possessivo: etnografia das relações não-monogâmicas no sul do Brasil. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018.

CARDOSO, D. Amando vári@s – Individualização, redes, ética e poliamor. Tese de mestrado em Ciências da Comunicação, Universidade Nova de Lisboa, 2010.

CHAVES, Bruno Henrique da Silva. DISPUTAS ACERCA DA NOÇÃO DE MONOGAMIA: Afinal, o que é família? Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Direito) – Faculdade Nacional de Direito, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022.

DIAS, Jorge de Figueiredo. Questões fundamentais do direito penal revisitadas. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999.

FERNANDES, Rhuann. Negritude e não monogamia: as micropolíticas do amor. Rio de Janeiro: Autografia, 2022.

LÔBO, Paulo. Direito civil: volume 5: famílias. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.

PILÃO, Antonio Cerdeira. Infinitos Amores: um estudo antropológico sobre o poliamor. Rio de Janeiro: Telha, 2022.

PILÃO, Antonio. Entre a liberdade e a igualdade: princípios e impasses da ideologia poliamorista. Cadernos Pagu, Campinas, n. 44, p. 391–422, jan./jun. 2015. DOI: 10.1590/1809-4449201500440391

PINTO, Igor Alves. “Trisal não é bagunça não”: reconfigurações do campo jurídico sobre as margens do conceito de família conjugal. 2023. Tese (Doutorado em Direito) — Faculdade Nacional de Direito, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023.

SILVA, Marcos Alves da. Da Monogamia: A sua Superação como Princípio Estruturante do Direito de Família. Curitiba: Editora Juruá, 2013.

SILVÉRIO, Maria Silvério. Eu, tu... ilus: poliamor e não-monogamias consensuais. 2018. Tese (Doutorado em Antropologia)- Escola de Ciência Sociais e Humanas, Instituto Universitário de Lisboa, Lisboa, 2018.

TAVARES, Juarez. Fundamentos De Teoria Do Delito. Florianópolis: Empório do Direito, 2018.

Downloads

Publicado

31.03.2026

Como Citar

PINTO, Igor Alves. Acesso à justiça e luta por novas formas de reconhecimento: famílias não monogâmicas e decisões estatais . InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, Brasília, v. 12, n. 1, p. 219–243, 2026. DOI: 10.26512/revistainsurgncia.v12i1.60240. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/insurgencia/article/view/60240. Acesso em: 7 abr. 2026.

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.