Os Indesconstrutíveis da Desconstrução

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Gabriela Lafeta

Résumé

O presente texto propõe ler a desconstrução quando em seu “movimento de justiça” a decidir sobre a lei. Trata-se, no entanto, de uma operação de justiça para além da instância jurídica e que se encontra em uma singular competência da lei em fazer acontecer o impossível naquilo que ela mesma inscreve como possibilidade. Possibilidade ou, antes, potência que, por Jacques Derrida, é da ordem de uma diferença absoluta que a linguagem instaura quando problematiza sua relação com a lei e com a história.


Mediante um enfrentamento decisivo do texto como ação, a justiça se apresenta como uma lei maior, indesconstrutível, em que, na ação de julgar e decidir por força de lei, não se faz presente, mas participa de uma operação do pensamento que permanece no limiar do conceito. O texto percorre os impasses desse enfrentamento que, ao fim, apresenta a justiça como heteronomia, em quea intrusão do Outro é constituinte à indecidibilidade da lei ao mesmo tempo que constrange uma decisão em seu nome.

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LAFETA, Gabriela. Os Indesconstrutíveis da Desconstrução . Das Questões, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 19–42, 2020. DOI: 10.26512/dasquestoes.v9i1.31900. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/dasquestoes/article/view/31900. Acesso em: 8 janv. 2026.
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