Animais demais…

os xerimbabos no espaço doméstico matis (Amazonas)

Autores

  • Philippe Erikson

Palavras-chave:

Amazônia, Matis, povos indígenas, animais familiares, espíritos-donos

Resumo

Para os Matis, o espaço obtido da floresta para habitar e cultivar representa uma conquista sobre o universo dos animais e dos espíritos, um espaço socializado que deve ser preservado a todo custo contra o possível retorno dos antigos donos. Por isso, os animais familiares admitidos na maloca formam, enquanto categoria liminar, na fronteira entre o social e o anti-social, um perigo simbólico que pode ser comparado aos trechos de florestas em processo de regeneração. As restrições topográficas impostas aos animais familiares refletem portanto a ambiguidade inerente à sua inserção social.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BEHRENS, Clifford. 1983. Shipibo Ecology and Economy. Ph.D. dissertation, University of California, Los Angeles, University Microfilms International, Ann Arbor.
CALAVIA SAEZ, Oscar. 2010. “O melhor parente do homem”. Disponível em: http:// www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/o-melhor-parente-do-homem. Acessado em: 21/04/2012.
CORMIER, Loreta. 2003a. “Animism, cannibalism, and pet-keeping among the Guajá of Eastern Amazonia”. Tipiti, v. 1, n.1:81-98.
_____. 2003b. Kinship with monkeys. The Guajá foragers of eastern Amazonia. New York: Columbia University Press.
CREVAUX, Jules. 1987 [1879]. Le mendiant de l’Eldorado. De Cayenne aux Andes, 1876-1879. Paris: Phébus.
DAL POZ, João. 1993. “Homens, animais e inimigos: simetrias entre mito e rito nos Cinta Larga”. Revista de Antropologia, São Paulo, USP, v. 36:177-206.
DESCOLA, Philippe. 1998a. “Pourquoi les indiens d’Amazonie n’ont-ils pas domestiqué le pécari? Généalogie des objets et anthropologie de l’objectivation”. In: Lemonnier & Bruno Latour (eds.). De la préhistoire aux missiles balistiques. L’intelligence sociale des techniques. Paris: Editions de la Découverte. pp. 329-244.
_____. 1998b. “Estrutura ou sentimento: A relação com o animal na Amazônia”. Mana, n. 4 (1):23-45.
DIENST, Stefan & FLECK, David W. 2009. “Pet vocatives in Southwestern Amazonia”. Anthropological Linguistics, 51 (3-4):209-243.
ERIKSON, Philippe. n.d. [1983]. “L’animal (sauvage, familier, domestique) en Amazonie indigène”. Mémoire de maîtrise, Université Paris X-Nanterre.
_____. 1987. “De l’apprivoisement à l’approvisionnement. Chasse, alliance et familiarisation en Amazonie amérindienne”. Techniques et Cultures, 9:105-140.
_____. 1988. “Apprivoisement et Habitat chez les Amérindiens Matis (Langue Pano, Amazonas, Brésil)”. Anthropozoologica, n. 9:25-35.
_____. 1998. “Du pécari au manioc ou du riz sans porc ? Réflexions sur l’introduction de la riziculture et de l’élevage chez les Chacobo (Amazonie bolivienne)”. In: Martine Garrigues-Cresswell & Marie Alexandrine Martin (eds.). Résistance et changements des comportements alimentaires. Techniques & culture, n° spécial 31-32:363-378.
_____. 2000. “The Social Significance of Pet-keeping among Amazonian Indians”. In: Paul Poberseck & James Serpell (eds.). Companion Animals and Us. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 7-26.
_____. 2001. “Myth and Material Culture: Matis Blowguns, Palm Trees, and Ancestor Spirits”. In: Laura Rival & Neil Whitehead (eds.). Beyond the Visible and the Material: the Amerindianization of Society in the Work of Peter Rivière. Oxford: Oxford University Press. pp. 101-121.
FAUSTO, Carlos. 2008. “Donos demais: maestria e propriedade na Amazônia”. Mana 14:280-324.
FRANK, Erwin. 1987. “Die Tapirfest die Uni”. Anthropos, 82:151-181.
GADE, D.W. 1985. “Animal/man Relationships of Neotropical Vertabrate Fauna in Amazonia”. Nat. Geogr. Soc. Res. Rep., 18:321-326.
_____. (ed.). 1987. “Festschrift to Honor Frederick J. Simoons”. Journal of Cultural Geography, n° spécial, 7(2).
GRENAND, Pierre. 1980. Introduction à l’étude de l’Univers Wayãpi. Ethnoécologie des Indiens du Haut Oyapock, Guyane Française. Paris: SELAF.
KOSTER, Jeremy. 2009. “Hunting Dogs in the Lowland Neotropics”. Journal of Anthropological Research, v. 65:575-610.
ROE, Peter. 1982. The Cosmic Zygote. New Brunswick, New Jersey: Rutgers University Press.
SANTOS GRANERO, Fernando. 2009. Vital Enemies. Slavery, Predation, and the Amerindian Political Economy of Life. Austin: Texas University Press.
SERPELL, James. 1988. In the Company of Animals: A study of Human-Animal Relationships. New-York: Cambridge University Press.
TEXEIRA PINTO, Márnio. 1997. Ieipari. Sacrifício e vida social entre os índios Arara. São Paulo: Editora Hucitec/Anpocs/Editora ufpr.
VANDER VELDEN, Felipe. 2010. Inquietas Companhias: sobre os animais de companhia entre os Karitiana. Tese de Doutorado em Antropologia Social, Universidade de Campinas.
_____. 2011. “Rebanhos em aldeias: investigando a introdução de animais domesticados e formas de criação animal em povos indígenas na Amazônia (Rondônia)”. Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 5, n. 1:129-158.
VILLAR, Diego. 2005. “Indios, blancos y perros”. Anthropos (Sankt Augustin), 100 (2):495-506.

Downloads

Publicado

2018-02-19

Como Citar

Erikson, Philippe. 2018. “Animais demais…: Os Xerimbabos No espaço doméstico Matis (Amazonas)”. Anuário Antropológico 37 (2):15-32. https://periodicos.unb.br/index.php/anuarioantropologico/article/view/6889.