Caminhos ancestrais de São Paulo, movimento na formação de uma metrópole periférica
DOI:
https://doi.org/10.26512/patryter.v9i17.59992Palavras-chave:
caminhos; movimento; formação socioterritorial; grupos populares; periferias.Resumo
Este artigo investiga o papel dos caminhos ancestrais na formação socioterritorial de São Paulo. A pesquisa fundamenta-se na compreensão da indissociabilidade entre o espaço geográfico e o tempo histórico, analisando esse movimento especialmente em relação aos grupos populares. Verificou-se que os caminhos ancestrais indígenas foram cruciais para a expansão territorial paulistana, sendo posteriormente apropriados pelas bandeiras, ferrovias e rodovias. No entanto, essa modernização se mostrou incompleta e contraditória, baseada na exploração, no apagamento e na segregação de populações indígenas, negras e de migrantes nordestinos. Esse processo resultou na consolidação de uma lógica centro-periferia que, ao impor a lentidão e a imobilidade relativa periférica, ao mesmo tempo transformou as periferias em lócus de resistência cultural e social, um campo fértil para o surgimento de um novo período popular da história.
Downloads
Referências
Alencastro, L. (2000). O tratado dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras.
Anchieta, J. (1933). Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões do Padre Anchieta. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Andrada e Silva, R. (1958). São Paulo nos tempos coloniais. In A. de Azevedo (Org.). A cidade de São Paulo: estudos de geografia urbana. A evolução urbana (Vol. II, pp. 5-48). São Paulo: Companhia Editora Nacional.
Baeninger, R. (2005). São Paulo e suas migrações no final do século 20. São Paulo Perspec, 19(3), 84-96. https://doi.org/10.1590/S0102-88392005000300008
CEM – Centro de Estudos da Metrópole. (2025). Download de dados. https://centrodametropole.fflch.usp.br/pt-br/download-de-dados
Campos, E. (2006). A vila de São Paulo do Campo e seus caminhos. Revista do Arquivo Municipal, 204, 11-34.
Custódio, V. (2004). Dos surtos urbanísticos do final do século XIX ao uso das várzeas pelo Plano de Avenidas. Geosul, 19(38), 77-98.
D’Andrea, T. (2020). Contribuições para a definição dos conceitos periferia e sujeitas e sujeitos periféricos. Novos Estud Cebrap, 39(1), 19-36. https://doi.org/10.25091/S01013300202000010005
Dassoler, E. (2012). Do triângulo da morte ao círculo das artes: um olhar sobre a movimentação cultural da periferia sul de São Paulo. In Anais do Colóquio Internacional Culturas Jovens Afro-Brasil América: Encontros e Desencontros (pp. 1-17). São Paulo, Brasil: Universidade de São Paulo.
Fernandes, F. (1972). O negro no mundo dos brancos. São Paulo: Difusão Europeia do Livro.
Fernandes, F. (2008). A integração do negro na sociedade de classes (3a ed.). São Paulo: Globo.
Ferrez. (2000). Capão Pecado. São Paulo: Labortexto.
Furtado, C. (1979). Formação econômica do Brasil. São Paulo: Editora Nacional.
GeoSampa. (2025). Mapa digital da cidade de São Paulo. http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br/PaginasPublicas/_SBC.aspx
Gonçalves, D. (1998). O Peabiru: uma trilha indígena cruzando São Paulo. Cadernos Pesquisa LAP, 24, 1 74.
Holanda, S. (1975). Caminhos e fronteiras (2a ed.). Rio de Janeiro: José Olympio.
Holanda, S. (1990). Monções (3a ed.). São Paulo: Brasiliense.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2022). Censo demográfico. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/22827-censo-demografico-2022.html
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2025). Estatísticas. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/downloads-estatisticas.html
Kowarick, L. (1983). A espoliação urbana (2a ed.). Rio de Janeiro: Paz e Terra.
Krenak, A. (2022). Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras.
Langenbuch, J. (1971). A estruturação da Grande São Paulo: estudo de geografia urbana. Rio de Janeiro: IBGE.
Leme, M. (1990). Revisão do Plano de Avenidas: um estudo sobre o planejamento urbano de São Paulo, 1930. (Tese de Doutorado em Arquitetura e Urbanismo). Universidade de São Paulo, São Paulo.
Lemos, A. (1997). Formação sócio-espacial e lugar como mediação: as paisagens do Nordeste na cidade de São Paulo. Revista do Departamento de Geografia da USP, 12, 11-17. https://doi.org/10.7154/RDG.1997.0011.0001
Lemos, A. (2004). La globalización y su impacto en las áreas urbanas de América Latina. AGUC, 24, 107-121.
Lemos, A. (2018a). Cidades, território e memória na América Latina: um olhar através das suas metrópoles. PatryTer, 1(2), 13-28. https://doi.org/10.26512/patryter.v1i2.9281
Lemos, A. (2018b). Em busca de uma Geografia Latino-Americana Crítica ou por uma Geografia Mestiça. Boletim Paulista de Geografia, 100, 112–129.
Lemos, A., Costa, E. & Alvarado-Sizzo, I. (2021). Pobreza urbana y patrimonio-territorial en metrópolis latinoamericanas. Revista Geográfica Venezolana, 63(1), 136–156. https://doi.org/10.53766/RGV/2022.63.01.08
Martins, J. (1998). O cativeiro da terra (7a ed.). São Paulo: Hucitec.
Matos, O. (1958). São Paulo no século XIX. In A. de Azevedo (Org.). A cidade de São Paulo: estudos de geografia urbana. A evolução urbana (Vol. II, pp. 49-95). São Paulo: Companhia Editora Nacional.
Mbembe, A. (2018). Necropolítica (3a ed.). São Paulo: n-1 edições.
Monbeig, P. (2004). O crescimento da cidade de São Paulo. In T. Szmrecsányi (Org.). História econômica de São Paulo (pp. 14-115). São Paulo: Globo.
Monteiro, J. (1994). Negros da terra: história e análise da escravidão e da cultura afro-brasileira. São Paulo: Companhia das Letras.
Moraes, A. (2005). Ideologias geográficas: espaço, cultura e política no Brasil. São Paulo: Annablume.
Moura, C. (1981). Rebeliões da senzala: a questão social no Brasil (3a ed.). São Paulo: Lech.
Nobre, E. (2010). A atuação do poder público na construção da cidade de São Paulo: a influência do rodoviarismo no urbanismo paulistano. In Anais do XI Seminário de História da Cidade e do Urbanismo (pp. 1-15). Vitória, Brasil: Universidade Federal do Espírito Santo.
Prado Jr., C. (1998). A cidade de São Paulo: Geografia e história. São Paulo: Brasiliense.
Petrone, P. (1995). Aldeamentos paulistas. São Paulo: Edusp.
Prefeitura Municipal de São Paulo. (2024). Infocidade.
Prezia, B. (2008). Os Tupi de Piratininga: Acolhida, resistência e colaboração [Tese de doutorado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]. PUC-SP.
Santos, C. (2017). Nem tudo era italiano: São Paulo e Pobreza (1890-1915). São Paulo: Annablume/Fapesp.
Santos, M. (1977). Sociedade e espaço: a formação social como teoria e como método. BPG, 54, 81-99.
Santos, M. (1987). O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel.
Santos, M. (1990). Metrópole Corporativa Fragmentada: o caso de São Paulo. São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura/Nobel.
Santos, M. (2002). A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp.
Santos, M. (2004). O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos (2a ed.). São Paulo: Edusp.
Santos, M. (2012). Espaço e método (5a ed.). São Paulo: Edusp.
Sávio, M. (2010). A Cidade e as Maquinas: bonde e automóveis nos primórdios da metrópole paulista 1900-1930. São Paulo: Annablume/Fapemig.
Silva, J. (2012). Rap, a trilha sonora do gueto: um discurso musical no combate ao racismo, violência e violações aos direitos humanos na periferia. In Anais do Colóquio Internacional Culturas Jovens Afro-Brasil América: Encontros e Desencontros (pp. 1-19). São Paulo, Brasil: Universidade de São Paulo.
Silva, U. (2008). Velhos caminhos, novos destinos: migrante nordestino na Região Metropolitana de São Paulo. (Tese de Doutorado em Sociologia). Universidade de São Paulo, São Paulo.
Sposati, A. (1996). Mapa da exclusão/inclusão social da cidade de São Paulo. São Paulo: Educ.
Telles, V. (1999). A “nova questão social” brasileira: ou como as figuras de nosso atraso viraram símbolo de nossa modernidade. Caderno CRH, 12(30-31), 85-110. https://doi.org/10.9771/ccrh.v12i30.18704
Todorov, T. (2010). A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes.
Unifesp – Universidade Federal de São Paulo. (2025). Hímaco. https://himaco.unifesp.br/
Vasconcellos, E. (2001). Transporte Urbano, Espaço e Equidade: análise das políticas públicas. São Paulo: Annablume.
Vilardaga, J. (2016). Terras, ouro e cativeiro: a ocupação do aldeamento dos Guarulhos nos séculos XVI e XVII. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia (26), 42-61. doi:10.11606/issn.2448-1750.revmae.2016.119010.
Vilardaga, J. (2020). No fluxo do Anhembi-tietê: o rio e a colonização da capitania de São Vicente nos séculos XVI e XVII Nuevo mundo mundos nuevos, 1-36. 10.4000/nuevomundo.82993.
Vilardaga, J. (2021). Vilas e cidades em trânsito: assentamentos urbanos, agência indígena e fronteira colonial na formação do espaço platino (séculos XVI e XVII). Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, 29, 1–28. 10.1590/1982-02672021v29d1e7.
Villaça, F. (1998). Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Ricardo Barbosa da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Informamos que a Revista Patryter está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDer
Autores que publicam na Revista PatryTer concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDer
- A contribuição é original e inédita, não está sendo avaliada para publicação por outra revista. Quando da submissão do artigo, os(as) autores(as) devem anexar como documento suplementar uma Carta dirigida ao Editor da PatryTer, indicando os méritos acadêmicos do trabalho submetido [relevância, originalidade e origem do artigo, ou seja, oriundo de que tipo de investigação]. Essa carta deve ser assinada por todos(as) os(as) autores(as).
- Autores autorizam a Revista PatryTer a veicular o artigo em bases de dados públicas e privadas, no Brasil e no exterior.
- Autores declaram que são integralmente responsáveis pela totalidade do conteúdo da contribuição que ora submetem ao Conselho Editorial da Revista PatryTer.
- Autores declaram que não há conflito de interesse que possa interferir na imparcialidade dos trabalhos científicos apresentados ao Conselho Editorial da Revista PatryTer.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não- exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
