Edições anteriores

  • Jorge Méndez Blake El castillo / The Castle, 2007 Ladrillos, edición de El castillo de Franz Kafka / Bricks, edition of Franz Kafka’s The Castle 2300 x 175 x 40 cm Imágen cortesía del artista / Image courtesy of the artist Vista de la instalación en la exposición After Babel, Annex M, Athens, 2018 / Installation view at the exhibition After Babel, Annex M, Athens, 2018

    Dossiê Protagonismo indígena e museu: abordagens e metodologias / Dossiê Museus, Museologia e Literatura: representações de mundo e técnicas narrativas
    v. 10 n. 19 (2021)

    Dossiê O Protagonismo Indígena e Museu: abordagens e metodologias

    O dossiê tem como objetivo reunir artigos nos quais o protagonismo indígena no museu seja o ponto essencial a ser difundido, podemos dizer, a participação de grupos ou comunidades acontece, tendo os indígenas como atores ativos do processo de curadoria.

    A proposta gira em torno das relações entre povos indígenas e museus, considerando abordagens  pós-colonialistas revisionistas e descoloniais, posicionando o protagonismo indígena nos processos museais contemporâneos como um direito à musealização.

    É do interesse do dossiê conhecer e disseminar amplamente ações de curadoria promovidas por profissionais de museus e indígenas conjuntamente, favorecendo a autorrepresentação e a participação desses atores na elaboração dos discursos museais e nas elaborações reflexivas.

    Para melhor entendimento, curadoria é considerada como todas as ações em torno do objeto museológico - formação de coleções, pesquisa, conservação, documentação, exposição e educação. Dessa forma, serão bem recebidas contribuições das(os) mais diversas(os) curadoras(es), ou seja,  profissionais que compõe ou se integram ao processo curatorial em museus, a saber: pesquisadoras(es) de diversos campos, conservadoras(es), documentalistas, museólogas(os), educadoras(es), arquitetas(os), designers etc.

    Igualmente, são esperadas contribuições de diversas áreas (museologia, antropologia, artes, arqueologia, psicologia, educação, arquitetura, comunicação social e outras) e tipologias de museus (antropológicos/etnológicos/etnográficos, artísticos, arqueológicos, históricos, ciência & tecnologia, de cultura popular e folclore, de cidade, comunitários etc.).

    Outro aspecto a ser considerado são as metodologias adotadas na curadoria com indígenas, a considerar: a colaboração, pesquisa-ação, curadoria compartilhada, requalificação de coleção, etnomuseologia, etnoarqueologia e outras que nos tragam elementos para discussão sobre interações entre agentes indígenas e não indígenas nos procedimentos curatoriais, as relações de poder e na tomada de decisão, considerando disputas e conflitos, como também as negociações e acordos estabelecidos para se chegar a resultados, o que esperamos conhecer nos textos apresentados.

    Tornando a ideia mais original, a proposta do dossiê abrange textos indígenas elaborados pelos mesmos sobre suas realidades, experiências, visões, curadorias e gestões museais. Temos como inspiração o depoimento:

    “Meu nome é Inã que significa mãe. Sou Kujã [pajé], sou Kaingang. O que significa pra nós, o livro [lançado com artigos dela], é nós contando a nossa história, nóis mesmos contando a nossa história, do jeito que a gente fala, e o livro vai ser escrito do jeito que a gente fala da nossa cultura, do nosso povo, porque isso é muito importante pra nóis que fala da nossa cultura, não é outras pessoa, o que tá escrito no livro é do mesmo jeito, a mesma linguagem que a gente fala, não é a voz do não índio, é a voz do índio, é a voz nossa, nóis indígena, isso pra nóis é muito importante, porque não é outras pessoa que tá contando a história indígena, é nóis mesmo que tamo contando a nossa história, isso é muito importante pra mim, não só pra mim mas para o nosso povo isso é muito importante e nóis temos muito orgulho de falar de nós mesmo. Isso é muito orgulho!”

    Dirce Jorge Lipu Pereira, Kaingang, TI Vanuíre, SP, 18 de maio de 2020.

    Dossiê Museus, Museologia e Literatura: representações de mundo e técnicas narrativas

    Museus, Museologia e Literatura entrecruzam-se por diversas vias. As conexões remontam à raiz etimológica da palavra museu, referente ao Templo das Musas – muitas delas diretamente ligadas à Literatura. Remetem também, o que é menos conhecido, à raiz mitológica de Museu, filho do poeta Orfeu, como lembra Marília Xavier Cury (1999). Uma das explicações possíveis para essa faceta poética (e, nesse aspecto, também política) dos museus está ancorada no mundo mitológico. Calíope, musa da poesia épica, filha de Zeus e Mnemó­sine, uniu-se a Apolo e gerou Orfeu. A epopeia de Calíope, a lírica de Apolo e os cantares de Orfeu preenchiam, assim, o mundo da poesia. De acordo com a narrativa mitológica, Orfeu se uniu a Selene (a Lua), gerando o poeta Museu “personagem semimitológico, herdeiro de divindades, comprometido com a ins­tituição dos mistérios órficos, autor de poemas sacros e oráculos. Esta tradição mitológica sugere a ideia de que o museu é um canto onde a poesia sobrevive” (CHAGAS, 2002: 5). Canto, aqui, pode ser tanto lugar como música de exalta­ção. E a poesia a que se refere Chagas pode ser compreendida em uma acepção ampla, despretensiosa. Entender o museu como canto – lugar e louvor – propí­cio à sobrevivência da poesia, está, sob esse aspecto, relacionado às operações simbólicas realizadas nas instituições museológicas.

    Apesar dessas conexões possíveis, a literatura nem sempre é significati­vamente mobilizada nos acervos e práticas museológicas. Por um lado, musea­lizar a literatura é difícil, inclusive nos museus em que se pressupõe o literário como elemento central. Ela também não está entre os assuntos mais frequentes quando se discute Museologia e suas disciplinas fronteiriças. Por outro lado, seria falso afirmar a completa exclusão da literatura dos cenários museal e mu­seológico. Isto porque, entre outras razões, há associações dedicadas a estudos sobre museus literários, rotas literárias e/ou casas de escritores em diversos países, além de um Comitê Internacional de Museus Literários [e de Composi­tores] no Conselho Internacional de Museus (ICLCM – ICOM), criado em 1977, e que congrega especialmente casas de escritores e de escritoras (além de ou­tros tipos de museus literários e de casas de compositoras e de compositores).

    Ao passar da presença da literatura nos museus aos museus em obras literárias, cabe refletir sobre os questionamentos a seguir. Como foram repre­sentados os museus na tradição literária? O que a Museologia pode aprender por meio das obras literárias em que os museus são representados e das aná­lises literárias feitas a respeito delas? São perguntas que possibilitam articular análises literárias, comparações entre museus e suas respectivas representações na ficção, análises de expografia, entre outros tipos de estudos. É possível pensar ainda nas contribuições cruzadas que escritores e estudiosos da literatura, bem como museólogos e profissionais de museus, podem oferecer para os campos dos Estudos Literários, da criação literária, da Museologia e da prática profissio­nal nos museus.

    Um ponto delicado no contato entre Museologia e Estudos Literários é o emprego recorrente, em referência a museus, do termo “narrativa”. Quando nos referimos a narrativas museológicas, será o mesmo conceito a que se refe­rem os estudiosos da Literatura quando abordam narrativas literárias? Pesquisas que contribuam para a consolidação de uma teoria da narrativa museológica, que pode abarcar desde as políticas de aquisição e descarte até estratégias mais concretas de comunicação museológica, com destaque para as chamadas narra­tivas expositivas, consistem em um caminho a ser trilhado. A análise de expo­sições em que a narrativa por meio de objetos seja considerada ponto central e seus procedimentos de composição em diferentes contextos culturais ainda consiste em um tímido movimento no campo da Museologia.

    Por meio dos artigos e entrevistas nós nos propomos a contribuir para uma construção interdisciplinar e coletiva de respostas às várias perguntas levantadas ao longo deste texto. Mais do que isso, nosso objetivo é abrir espaço para a geração de novos questionamentos e reflexões que amparem pesquisadores e profissionais técnicos da Museologia e dos Estudos Literários e fomentem o crescimento de ambas as áreas e do campo interdisciplinar que as conecta.

     

     

  • Instalação - Museu de Arte Sacra - Olinda - PE  Foto: Teresa Scheiner, fevereiro de 2020

    Museus, Museologia, Comunicação, Recepção
    v. 9 n. Especial (2020)

    Este número especial da Revista Museologia e Interdisciplinaridade ”“ Museus, Museologia, Comunicação, Recepção - celebra a essência do Museu como instancia comunicacional absoluta, fenômeno que se configura simultaneamente em processo e como produto muito especial das interfaces entre o humano e o real, ou suas diferentes “dobras”, a que chamamos realidades. É um tema que permanece atual, considerando a avassaladora presença das mídias ”“ especialmente as mídias digitais - em nosso cotidiano e sua influencia na cultura do presente. É importante lembrar sempre onde e como se colocam os museus, na Atualidade; e como vêm-se adaptando às novas linguagens comunicacionais. Museus se conectam com todos os tempos e espaços, mas é no hoje que se comunicam: o uso de linguagens atualizadas (incluindo a linguagem do marketing) é fundamental para que suas narrativas possam verdadeiramente impactar as sociedades do presente.

    A teoria nos ensina que o Museu é um fenômeno social, de profundo significado educativo: em suas formas instituídas, quaisquer que sejam, museus atuam de forma dinâmica, não apenas no estudo e conservação da cultura em todos os tempos e espaços, mas também propiciando novos conhecimentos e experiências de vida que contribuem, de modo positivo, para o desenvolvimento humano e o bem estar social. E o fazem oferecendo experiências vivenciais de observação, estudo e experimentação dos processos e produtos da natureza e da ação humana em toda a sua trajetória. Nesse contexto ocupam lugar especial os museus universitários, que dão a conhecer os modos e formas pelos quais se constrói o saber formal sobre as coisas do mundo e as coisas “das gentes”; e desenvolvem experiências de compartilhamento democrático do saber formal, onde o conhecimento acadêmico é interpretado nas suas interfaces com o conhecimento informal de todos os grupos sociais.

    Como dispositivos comunicacionais plenos, museus permitem uma ampla conexão com todos os planos perceptuais e com as diferentes dimensões da razão e dos sentidos. Essa comunicação se dá especialmente através das exposições. Entende-se aqui a exposição como o produto de um ato de criação coletiva, que reúne as percepções de mundo de todos aqueles que, de alguma forma, foram e são responsáveis pela sua realização: toda exposição oferece um recorte de mundo que possibilita a cada individuo uma experiência transformadora. Os graus de transformação irão variar, dependendo da experiência imersiva de cada pessoa no espaço da exposição. 

    Do ponto de vista da recepção, toda exposição é um objeto semiótico, polivalente, e configura um texto a ser reconhecido e percebido como “entidade comunicacional” ”“ um mecanismo que precisa ser atualizado por um destinatário, através de um processo interpretativo. O texto expositivo captura os sentidos e provoca alguma forma de “leitura”, a partir de dispositivos combinatórios próprios a cada experiência. Toda exposição se articula assim como espaço de linguagem, que se dirige a indivíduos reais, e não a entidades teóricas designadas como “publico alvo”, “visitante”, ou “publico geral”. Empreender a análise sistemática de audiências constitui, portanto, um movimento necessário para o desenvolvimento de uma museologia dialógica (ou dialogal), isto é, uma experiência comunicacional ”“ já que o diálogo é a matriz e a essência mesma da comunicação.

    T. Scheiner, dezembro de 2020

  • Dance with me (2018), de autoria de Élle de Bernardini. Créditos: cortesia da artista

    Musealização da Performatividade em Coleções Públicas e Privadas
    v. 9 n. 18 (2020)

    Sabe-se que a intenção, a aquisição e os processos contextuais-temporais em uma coleção configuram o que podemos considerar musealização - ação / ato / gesto em trânsito, retroalimentado por trajetórias de objetos e narrativas em uma relação indispensável com o sujeito que os observa e os ressignifica. Se a condição de narrativa sobre a existência dos objetos está atrelada à imaterialidade, a performatividade é elemento central para compreensão das intenções e dos processos que envolvem agentes e agências: museus, patrimônios, acervos, grupos sociais, indivíduos. A performatividade está associada à sobrevivência, aquilo que dá continuidade, que perpetua, que permanece, que é vestigial; uma metalinguagem, como uma locução que articula os sentidos e as narrativas sobre algo, aquilo que transmuta, que se configura como ponto de conexão entre genealogias e temporalidades. Nesse sentido, a proposta deste dossiê é contemplar reflexões sobre a performatividade ao encontro das práticas museológicas e museais e dos acervos, e vice-versa. Para tanto, o dossiê vislumbra textos que apresentem a musealização da performatividade frente às artes visuais, aos saberes tradicionais, à dança, ao teatro, à música, às artes cênicas, e que possam também discorrer sobre encenação, ritual, corporeidade. Desse modo, sugerem-se como eixos temáticos: (1) História das políticas de preservação imaterial; (2) A noção de performatividade em coleções públicas e privadas de artes visuais, saberes tradicionais, dança, artes cênicas e música; (3) Relações entre performance, ritual e corporeidade e suas transformações; (4) A musealização da performatividade das obras/ do acervo nos processos museais e museológicos.

  • Museus e Museologia: aportes teóricos na contemporaneidade
    v. 9 n. 17 (2020)

    Tiriyó-Kaxuyana beadwork ”“ Acervo do Memorial dos Povos Indígenas (MPI) ”“ Brasília/DF

    Foto: Daderot

     
  • Museus e Educação: História e Perspectivas Transnacionais
    v. 8 n. 16 (2019)

    Foto: Mão de Rosella Andreassi - Autor: Giorgio Calabrese  - Università degli Studi del Molise Local: Museo della Scuola e dell’Educazione popolare - Campobasso  Data: 23/05/2017 Evento: "Vite maestre tra libri, registri e quaderni. La dimensione locale della ricerca e il patrimonio storico educativo" 
  • Claudia Andujar, Gisele Motta e Leandro Lima, Yano-a, 2005, instalação (detalhe). Acervo da Pinacoteca de São Paulo. Foto: E.Dionisio, 2016.

    Dossiê: Cinema, museu e patrimônio
    v. 8 n. 15 (2019)

    Organizadores: José Quental (Doutorando em Cinema Université Paris 8/Cinemateca do MAM) e Alda Heizer (JBRJ)

    Capa: Claudia Andujar, Gisele Motta e Leandro Lima, Yano-a, 2005, instalação (detalhe).

    Acervo da Pinacoteca de São Paulo.

    Foto: E.Dionisio, 2016.

  • Os Museus e o Mar
    v. 7 n. 14 (2018)

    Mercedes Lachmann, Área de Emergência, 2014, instalação - casco de barco de madeira sobre banco de areia. I Mostra Rio Esculturas Monumentais, Praça Paris, Glória, RJ.

  • v. 7 n. 13 (2018)

    Ida Hannemann de Campos,

    Voltando da feira 2, série Transeuntes, 1964

    Coleção da Artista

    Foto: E.Dionisio

  • v. 6 n. 12 (2017)

    Henrique de Oliveira

    Transarquitetônica, 2014, instalação (detalhe)

    Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

    Foto: E.Dionisio

  • v. 6 n. 11 (2017)

    Nelson Leirner

    Terra à vista, 1998.

    MAC, Niterói, RJ

  • v. 5 n. 10 (2017)

    Túlio Pinto

    Cumplicidade #7, 2016.

    Foto do artista.

  • v. 5 n. 9 (2017)

    Laura Lima e José Barattino

    Comida, 2012

    Encontros de arte e gastronomia, MAM - SP

    Foto: Edouard Fraipont

  • v. 4 n. 8 (2015)

    Elida Tessler

    Você me dá a sua palavra?, 2004-2013, instalação

    Foto: Carlos Stein

  • v. 4 n. 7 (2015)

    Ana Ruas

    Plano B

    Intervenção no Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul, 2014.

  • v. 3 n. 6 (2014)

    Jac Leirner

    Cantos, 2014, níveis de precisão sobre parede

    foto:Museo Tamayo, México. 

  • v. 2 n. 3 (2013)

    Corpos Informáticos

    Encerando a chuva, 2012

    Pirangy, RN. 
    foto: Bia Medeiros
    performer: Maria Eugênia Matricardi

  • Gê Orthof,  Escuto, 2009  Espaço Marcantonio Vilaça, Brasília.

    v. 1 n. 2 (2012)

    Gê Orthof,

    Escuto, 2009

    Espaço Marcantonio Vilaça, Brasília.

  • Elder Rocha  Paisagens Instáveis, 2008  Intervenção no Torreão, Porto Alegre

    v. 1 n. 1 (2012)

    Elder Rocha

    Paisagens Instáveis, 2008

    Intervenção no Torreão, Porto Alegre