Nadando entre tubarões: a dificuldade do acesso à justiça por trabalhadores rurais sem terra em processos judiciais de falência e de recuperação judicial de empresas

Autores

  • Diego Augusto Diehl Universidade Federal de Jataí e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Brasília, Distrito Federal, Brasil https://orcid.org/0000-0002-7521-7349
  • Esloane Gonçalves Rodrigues Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares, Brasíia, Distrito Federal, Brasil https://orcid.org/0009-0008-4635-8696

DOI:

https://doi.org/10.26512/revistainsurgncia.v12i1.60440

Palavras-chave:

Acesso à justiça, Falência e Recuperação Judicial, Luta Pela Terra, Assessoria Jurídica Popular, Reforma Agrária

Resumo

No presente artigo, apresentamos a luta por direitos de trabalhadores rurais sem terra do município de Santa Helena de Goiás contra uma grande empresa em situação de recuperação judicial, evidenciando como o processo judicial corre à revelia dos trabalhadores-credores e dos contribuintes-credores, revelando a inexistência de qualquer preocupação com o acesso à justiça por parte deste público, que luta por seus direitos nadando num mar de “tubarões”, que são os credores ligados ao capital financeiro e a outros setores das classes dominantes. Assim, os avanços no campo do acesso à justiça nas últimas décadas são problematizados, visto que a luta por direitos trabalhistas e por direitos sociais no âmbito do processo judicial tem esbarrado em aspectos institucionais, linguísticos, processuais e de outras dimensões.

Biografia do Autor

Diego Augusto Diehl, Universidade Federal de Jataí e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Brasília, Distrito Federal, Brasil

Coordenador-Geral de Planejamento Estratégico do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Agrários do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (DEMCA-MDA). Professor adjunto do curso de Direito da Universidade Federal de Jataí, professor efetivo do PPGD-UFJ e do PPGDA-UFG. Doutor em Direito pela UnB, mestre em Direito pela UFPA e bacharel em Direito pela UFPR. Coordenador do projeto “Mapeamento de pesquisas sobre a relação entre Direito, desigualdades sociais e movimentos sociais no estado de Goiás”, contemplado na Chamada Pública FAPEG Nº 13/2024.

Esloane Gonçalves Rodrigues, Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares, Brasíia, Distrito Federal, Brasil

Analista técnica da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde. Mestra em Educação no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Jataí. Graduação em Direito pela Universidade Federal de Jataí. Advogada Popular na Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares.

 

Referências

CAPPELLETTI, Mauro; Garth, Bryant. Acesso à justiça. Porto Alegre: Sérgio. Antônio Fabris, 1988.

CAMPILONGO, Celso Fernandes. 1991. Acesso à Justiça e formas alternativas de resolução de conflitos: serviços legais em São Bernardo do Campo. Revista Forense, Rio de janeiro, 315: 3-17, jul./set.

CARVALHO, Eduardo Guimarães de. O negócio da terra. Rio de janeiro: UFRJ, 1991.

FALCÃO, Joaquim. Cultura jurídica e democracia: a favor da democratização do judiciário.

LAMOUNIER, Bolívar el alli. Direito, cidadania e participação. São Paulo: Tao, 1981.

FAUSTINO, Marcella Raphaella; BATITUCCI, Eduardo Cerqueira; CRUZ, Marcus Vinícius Gonçalves da. Defensorias Públicas: caminhos e lacunas no acesso à justiça. Revista Direito GV, São Paulo, v. 19, e2314, 2023. https://doi.org/10.1590/2317-6172202314.

FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1977.

GONÇALVES, Roberta de Santana; SILVA, Danilo Fontes da. A efetividade dos Juizados Especiais na resolução de conflitos de baixa complexidade: um estudo sobre a celeridade e o acesso à justiça. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 6, p. 4404-4419, 2025.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2022: Taxa de analfabetismo cai de 9,6% para 7,0% em 12 anos, mas desigualdades persistem. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/40098-censo-2022-taxa-de-analfabetismo-cai-de-9-6-para-7-0-em-12-anos-mas-desigualdades-persistem. Acesso em 10/11/2025.

JUNQUEIRA, Eliane Botelho. Acesso à Justiça: um olhar retrospectivo. Revista Estudos Históricos, v. 9, n. 18, p. 389-402, 1996.

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. IV Diagnóstico da Defensoria Pública no Brasil. Brasília: Ministério da Justiça, 2015.

MOURA, Alexandrina Sobreira de. Terra do mangue: invasões urbanas. Recife: Fundação Joaquim Nabuco/Massangana, 1990.

OLIVEIRA, Luciano. Polícia e classes populares. Cadernos de estudos sociais, v. 1, n. 1, 1985.

OLIVEIRA, Camila Pereira de. Acesso à justiça: obstáculos à sua efetivação e as soluções encontradas no direito brasileiro. TCC (Graduação) – Curso de Direito, Faculdade Nacional de Direito, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/8073. Acesso em 10/11/2025.

RHODE, Deborah L. Access to justice: an agenda for legal education and research. Journal of Legal Education, v. 62, n. 4, p. 531, May 2013.

RODRIGUES, Esloane Gonçalves; SOUZA, Ueber Alves; DIEHL, Diego Augusto. Muito além do chão: a história da luta pela terra e por direito sociais do MST no sudoeste goiano. Revista de Direito-Trabalho, Sociedade e Cidadania, v. 18, n. 18, p. e18202502-e18202502, 2025.

SADEK, Maria Tereza (Org.). Acesso à justiça. São Paulo: Konrad Adenauer Stiftung, 2001.

SADEK, Maria Tereza. Acesso à justiça: um direito e seus obstáculos. Revista USP, v. 101, p. 55-66, 2014. Disponível em: < https://www.direitorp.usp.br/wp-content/uploads/2021/04/Maria-Tereza-Sadek.pdf. Acesso em: 31/10/2025.

SADEK, Maria Tereza Aina. Apresentação: Defensoria Pública e vulnerabilizados. SIMÕES, Lucas Diz et al (orgs.). Defensoria Pública e a tutela dos coletivamente vulnerabilizados. Belo Horizonte: D’Plácido, 2019.

SANDEFUR, Rebecca L. Access to civil justice and race, class and gender inequality. Annual Review of Sociology, v. 34, p. 339-58, Aug. 2008.

SILVA, Nathane Fernandes da. O diálogo dos excluídos: a mediação social informativa como instrumento de ampliação do acesso à justiça pela via dos direitos no Brasil. Tese (Doutorado em Direito) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017.

SOUSA JUNIOR, José Geraldo de. Por uma concepção alargada de Acesso à Justiça. Revista Juridica da Presidéncia, v. 10, n. 90, p. 01-14, 2008.

Downloads

Publicado

31.03.2026

Como Citar

DIEHL, Diego Augusto; RODRIGUES, Esloane Gonçalves. Nadando entre tubarões: a dificuldade do acesso à justiça por trabalhadores rurais sem terra em processos judiciais de falência e de recuperação judicial de empresas. InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, Brasília, v. 12, n. 1, p. 245–278, 2026. DOI: 10.26512/revistainsurgncia.v12i1.60440. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/insurgencia/article/view/60440. Acesso em: 7 abr. 2026.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

<< < 1 2 

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.