História e Estrutura: Considerações sobre o Fazer Filosófico a partir de Alguns Modernos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/rfmc.v7i3.28938

Palavras-chave:

Tempo Histórico; Tempo Lógico; Estrutura, Arquitetônica; Ensino de Filosofia

Resumo

O fio condutor que o presente artigo segue é a oposição, programática para o método de leitura estrutural, entre a interioridade da estrutura e a suposta exterioridade das causas históricas na interpretação dos sistemas filosóficos. Principiando pela caracterização desse método, começa-se pelo comentário ao artigo de V. Goldschmidt “Tempo Histórico e Tempo Lógico na Interpretação dos Sistemas filosóficos”. Tomando esse texto por base, parte-se da oposição feita por Goldschmidt entre história e estrutura, (I.1) primeiramente apresentando a noção goldschmidtiana de tempo histórico; em seguida (I.2), passa-se à noção de tempo lógico; por fim, por meio da contribuição de um texto de Martial Guéroult, (I.3) são tecidas algumas considerações sobre a noção de arquitetônica. Num segundo movimento (II), passa-se a apresentar uma primeira crítica ao método estruturalista através de uma “autocrítica” feita por O. Porchat, um dos primeiros entusiastas e implementadores desse método no Brasil. Finalmente, à guisa de conclusão (III), a exposição encerra-se sugerindo uma outra crítica, inspirada em Espinosa, que simultaneamente revela alguns dos pressupostos lógicos e metafísicos do método estruturalista e abre campo para que se possa pensar uma reintegração entre história e estrutura.

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Biografia do Autor

Cristiano Novaes de Rezende, Universidade Federal de Goiás, UFG

Docente da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, onde foi concursado na área de Filosofia Moderna. Desta Faculdade foi Coordenador de Graduação, Coordenador de Bacharelado e Vice-Diretor, de 2012 a 2016. Atua também como colaborador na Pós-Graduação em Direitos Humanos da UFG. Graduado em Filosofia pela UNICAMP, fez seu Mestrado na USP, sobre as relações entre a teoria do conhecimento, a ontologia e a ética de Baruch Espinosa, a partir do conceito de 'emendatio intellectus' (como bolsista FAPESP). Também na USP, desenvolveu seu Doutorado sobre as relações de oposição e continuidade entre a lógica aristotélica e a teoria espinosana da definição genética. Atualmente, elabora pesquisa sobre as matrizes tardo-escolásticas do amplo debate que cercou o moderno conceito de definição genética, investigando como as articulações aí presentes entre ontologia, matemática, lógica e medicina configuraram a noção seiscentista de "medicina da mente". Lecionou nas graduações em Filosofia e Psicologia da Universidade Mackenzie, em São Paulo; na Especialização em Psicopatologia e Saúde Pública da FSP-USP; e foi professor convidado da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, havendo lecionado na Graduação em Medicina e na pós-graduação em Saúde Coletiva. Atua em História da Filosofia Moderna, nas linhas temáticas de Metafísica, Teoria do Conhecimento e Ética.

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Publicado

2020-01-26

Como Citar

REZENDE, C. N. de. História e Estrutura: Considerações sobre o Fazer Filosófico a partir de Alguns Modernos. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, [S. l.], v. 7, n. 3, p. 21–45, 2020. DOI: 10.26512/rfmc.v7i3.28938. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/fmc/article/view/28938. Acesso em: 19 abr. 2021.