Edições anteriores

  • Imagem da capa: Carlos Costa Ávila, Interpretação gráfica de retrato de Góngora I Aquarela e guache, sobre papel, 21cm-29,7cm

    Artes e Letras nos séculos XVI e XVIII
    v. 30 n. 56 (2021)

    Dossiê Temático Artes e Letras dos Séculos XVI a XVIII


    Dedicamos este Dossiê Temático da Revista Cerrados (UnB) a estudos sobre as artes e letras dos séculos XVI a XVIII com ênfase nos gêneros, nas preceptivas e práticas de representação que compõem o universo conceitual e prático do âmbito letrado desse período em diferentes locais geográficos, linguísticos e culturais. Trata-se de uma espiral de um tempo em que a escrita de ficção e sua articulação com música, pintura, teatro, arquitetura, escultura, história, memória e outros saberes se produziam como uma techné - técnica, arte - sempre específica e especificada em relação ao decoro de seu gênero, ainda que aberto decorosamente a misturas calculadas mas renovadoras. Como escreveu o icônico tratadista Baltasar Gracián: a agudeza em arte se produz escorada em uma “teórica flamante”, cujo farol anima e dá forma às criações ainda disformes do pensamento.

  • Tensões identitárias, diálogos e desafios na representação do indígena na literatura brasileira desde o século XVI
    v. 30 n. 55 (2021)

    A proposta do número temático aglutinará estudos que discutem tanto o percurso histórico quanto os recursos estilísticos que (de)limitam a heterogeneidade dos elementos constituintes da identidade cultural no Brasil via representação do indígena e sua materialidade em diferentes gêneros literários, desde o século XVI até a contemporaneidade, podendo também contemplar estudos numa perspectiva comparada com as literaturas latino-americanas. Esse amplo espectro temporal permite examinar Ã  luz das relações complexas entre identidade e alteridade e de conceitos como antropofagia, migração cultural, colonialidade, modernidade e decolonialidade, os sentidos de pertencimento e de identidade na literatura brasileira, tomando em consideração a figuração dos povos indígenas. Algumas pistas de reflexão são propostas :

     

    • a construção literária da figura do indígena através de textos que representam as relações entre povos indígenas e colonizadores ;
    • o imaginário conciliador do processo de construção da nação e sua desconstrução;
    • a mitificação da figura do « índio »
    • os estereótipos e as origens da intolerância na percepção da alteridade dos povos indígenas
    • formas de representação da coexistência de culturas distintas 
    • figurações de territorialidades indígenas na contemporaneidade
    • de objeto da representação a sujeito da enunciação : a literatura indígena contemporânea
  • Dossiê: Clarice Lispector: 100 anos entre outras artes
    v. 29 n. 54 (2020)

     Apesar das variadas datas de nascimento de Clarice Lispector registradas em diferentes documentos,  os biógrafos concluíram que a autora nasceu em 10 de dezembro de 1920, portanto, em 2020, comemoraremos os 100 anos da escritora.  Um século de uma literatura multifacetada tanto do ponto de vista da escrita como dos meios artísticos através dos quais Clarice Lispector buscou interrogar a si própria e sua escrita e expressar seu (des)entendimento com o mundo. Conhecida e consagrada por seus romances e contos, Clarice foi também tradutora, jornalista, cronista, pintora e dramaturga.  Em qualquer uma dessas atividades, Clarice buscava sempre  “um modo de se interrogar no interior do ato criativo”, procurando, como G.H.,  desvendar e  problematizar o ser e o estar no instante-já da vida (explosão). Em Clarice Lispector: figuras da escrita,  o crítico e ensaísta  Carlos Mendes Sousa, um dos organizadores deste dossiê,  apresenta alguns questionamentos sobre a escrita clariceana: “O que dissolve a verdade possível da cena? O que desrealiza a consistência verossímil da lembrança?” e, em seguida responde:  “Justamente a sensação figurando a escrita. As palavras como que devoram as imagens. Como se se traduzisse a sensação que está na origem do ato da escrita: da imagem à palavra.” 

    Em edição comemorativa, a Revista Cerrados (Revista do Programa de Pós-Gradução em Literatura), dedica esse dossiê para reunir artigos sobre as relações da autora de Perto do coração selvagem  com as outras artes, nas quais Clarice Lispector procurou  - e através de transcriações e traduções essa procura ainda continua - uma maneira de atuar política, artística e socialmente sobre sua realidade circundante.

    Ao menos um dos autores da contribuição enviada deverá ter a titulação de doutor.

  • Dossiê: Literatura e Espiritualidade
    v. 29 n. 53 (2020)

    Segundo Darcy Ribeiro (1995), o povo brasileiro tem a religiosidade como um elemento fundamental de sua cultura, o qual não apenas desempenhou papel facilitador de seu processo “civilizatório”, mas mobilizou igualmente movimentos de resistência, dos quais Canudos, na Bahia, e Lagolândia, em Goiás, dão testemunho. A religião permaneceu como forte traço identitário em toda a história brasileira e, ainda hoje, é foco de conflitos e revoluções sociais relevantes. Não obstante, há, no campo literário brasileiro, pouco espaço destinado ao estudo da representação de indivíduos e/ou doutrinas religiosas, colaborando assim, a academia, para manter alijadas dos estudos literários obras de cunho religioso, místico, ou que guardam relação com o sagrado em quaisquer de suas formas. Trata-se de uma literatura que tem seu próprio universo de leitores, os quais, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, constituem um corpo de receptores não menos numerosos que fieis, isto é, leitores que leem com regularidade. A eles dedicamos este dossiê, que reúne pesquisas sobre a relação entre Literatura e Espiritualidade de diversa natureza, como, por exemplo, estudos de obras literárias baseadas em doutrinas religiosas, representação e autorrepresentação de pessoas ou grupos religiosos, literatura e educação religiosa, a literatura religiosa no campo literário brasileiro, a religião como fator de resistência cultural, ou, ainda, a presença do sagrado e do místico na literatura.

    Ao menos um dos autores da contribuição enviada deverá ter a titulação de doutor.

  • Dossiê: Realismo e atualidade: horizontes da criação artística em tempos hostis
    v. 29 n. 52 (2020)

    Conforme Lukács sublinhou em sua Estética (1963), a obra de arte é uma totalidade intensiva e, não, extensiva. Porém, se na sociedade capitalista a totalidade de objetos (ou a apresentação de um estado de mundo) não é mais possível, que possibilidades se fecham e também se abrem para a arte frente à realidade atual? Apresenta-se, assim, a questão do realismo como inseparável da luta contra a reificação e as formas de opressão dela resultantes. Em tempos hostis à arte e à sociabilidade humanizada, configurar a totalidade artisticamente será, então, uma forma de combate contra o mundo reificado, conduzido por forças autoritárias? A obra de arte será, desse modo, capaz de iluminar as contradições que o capitalismo impõe no início deste século XXI? No mundo do capitalismo com dimensão planetária, pode a arte configurar a totalidade, e não apenas configurar, mas também vislumbrar horizontes de superação? Tais questionamentos permanecem válidos neste momento em que a teoria e a crítica literária voltam a falar em “impulso realista” (Ulka Anjaria: “The Realist Impulse and the Future of Poscoloniality”) ou “Worlding Realism” (Lauren M. E. Goodlad: introdução a “Worlding Realism Now”. Novel: A Forum on Fiction 49:2, 2016) ou ainda “Peripheral Realisms” (Jed Esty and Coleen Lye: “Peripheral Realisms Now”. Modern Language Quarterly 73:3, 2012). A retomada, hoje, na Europa, na Ásia e na América, dessas discussões, desde há muito centrais para a crítica estética dialética, indica a sua importância na atualidade e a necessidade de aprofundá-las, assumindo também a sua clara dimensão humana e social, sem a qual elas são meramente retóricas. Levando-se em conta a grandeza e a profundidade que a arte proporciona à inteligibilidade da história e da ação humana, principalmente em momentos em que a realidade impõe limites ao seu entendimento, torna-se imprescindível aprofundar a discussão acerca das contradições pretéritas ainda não resolvidas, dos desafios do presente e das perspectivas futuras, por meio de uma das maiores riquezas da produção humana: a arte, memória viva da humanidade, crítica da vida e modo de descobrir o núcleo da vida entre os mecanismos crescentes de alienação e opressão do ser humano.

     

    Neste número da Cerrados, “Realismo e atualidade: horizontes da criação artística em tempos hostis”, reunimos artigos que dedicados à discussão dos limites e das possibilidades das formas artísticas, especialmente as literárias, no interior da sociedade capitalista e seus mecanismos de estreitamento opressivo e alienante, bem como vislumbrar perspectivas de superação, a partir da problematização e da figuração das contradições aprofundadas em conjuntura de rearranjo autoritário. Encontram-se, também, no espectro da reflexão proposta por este volume da Cerrados, artigos que abordam os seguintes problemas: 1) as relações contraditórias entre a literatura e as velhas e novas formas de autoritarismo; 2) as especificidades dos gêneros literários e artísticos em sua conexão com a vida social; 3) o estudo da particularidade estética em contextos de opressão; 4) as formas da poesia, da novela, do conto e do romance, considerando-se as formulações de tradição estética ocidental frente à atualidade; 5) o estudo do realismo na dimensão da dialética hegemonia e marginalidade; centro e periferia.

    Ao menos um dos autores da contribuição enviada deverá ter a titulação de doutor.

  • Capa

    Artistas e criadores, entre muros e exílios: trinta anos de solidão [1989-2019]
    v. 28 n. 51 (2019)

    Evento político maior, a queda do muro de Berlim em 1989, seguida da unificação da Europa, dividida entre socialista e capitalista, anunciavam para o mundo, novos ares de liberdade, de mobilidade e de criação. Entretanto, segundo a constatação de Paul Valéry por ocasião da Grande Guerra, em 1919 (La Crise de l’Esprit), “nós outros, civilizações, sabemos agora que somos mortais”. Então, nos vindos tempos da internet, sem nos servir da memória disponível em rede e ignorando o passado, impetramos novas guerras, inventamos os atentados terroristas, reeditamos as mais hediondas intolerâncias e imaginamos novos muros segregacionistas em plena era de globalização. Entre os conflitos e o desmantelamento da Iugoslávia, a guerra no Iraque ou os massacres em Ruanda, os atentados de 11 de setembro de 2001, que culminaram com a destruição das torres gêmeas em Nova Iorque e a morte de milhares de pessoas, firmaram um grande divisor de águas, a partir do qual o homem se experimenta, apesar da esfera pública da web, num voo solitário, temível e excessivamente individualista, isolando-se, apesar dos grupos de encontro e da exposição desmedida das redes sociais. Choque de liberdades.

    No campo das artes e da literatura, o capitalismo fomentou suas marcas nos mais diferentes domínios e grifes de champagne e de bolsas de luxo tornaram-se os grandes financiadores de galerias e museus. A cultura, ao se tornar fator essencialmente econômico e alvo de todo tipo de isenções fiscais, fomentou o custeio do cinema e da dança (entre outros) pelas companhias petrolíferas, bancos e empresas de todo tipo. A literatura aproximou-se do marketing em sua política de edição e relação com autores. De forma geral, assistimos a arte se servir e girar em torno de decisores econômicos. Da irreverência da pop art dos anos 50-60, passamos à arte de Jeff Koons, atravessada pela publicidade. Da experimentação dos surrealistas, constatamos o enrijecimento dos modelos e a presença do academicismo. A arte narcísica vai ao encontro da folia das ‘selfies’ e da exposição de si nas redes sociais. Tal cultura narcísica parece incapaz de pensar o contemporâneo. O reino das ‘selfies’ revelaria, assim, a redução do mundo à sua menor expressão? Mas os contrastes são a marca dos artistas da atualidade. De um lado, a vivência em uma era de livre e fácil acesso, momento de empowerment dos sujeitos; de outro, a experiência de destituição, da expropriação, das margens expulsas do centro afetando multidões.  A experiência da marginalidade e da periferia simbolizaria um fato atual de sociedade, na qual é impossível pensar sob um modo unitário? Aqueles que cultivam a nostalgia de uma tal unidade se transformariam então em integristas sectários e em advogados do poder autoritário, de Daesh a Bolsonaro. Em 1989, o escritor Salman Rushdie foi condenado à morte por um regime integrista. Impedido de residir em seu próprio país, decide, como Victor Hugo, nos meados do século XIX, por seu próprio exílio. Estariam as aventuras culturais sensíveis da atualidade condenadas a falar desse desconforto, desse exílio, dessa impotência, como o fotógrafo Sebastião Salgado, o escultor Ai Weiwei, os escritores Michel Houellebecq e Atiq Rahimi, os tantos autores de quadrinhos em torno do fenômeno da imigração ou mesmo o resistente cineasta Jean-Luc Godard?

    Este número da revista Cerrados propõe então refletir sobre os elos possíveis entre a literatura e as artes plásticas, fílmicas, dramáticas, visuais em todo gênero e os grandes acontecimentos políticos dos últimos 30 anos, face ao enrijecimento global das mentalidades e das instituições. Questionamos ainda como o advento da era digital e a constatação da globalização da vida, dos hábitos e das experiências humanas têm provocado forte impacto no campo artístico e literário - a obra dentro de uma economia substancialmente visual, assim como seus atores e agentes.

  • Relações entre as literaturas brasileiras e mexicanas contemporâneas: problemas de recepção e intertextualidade
    v. 28 n. 50 (2019)

    Um olhar sobre a Literatura latino-americana contemporânea exige hoje uma aproximação dinâmica que se preocupe em abordar contextos culturais e lingüísticos diversificados configurados como tradições em diálogo. Daí que dizer “literaturas” significa não tratar de literaturas nacionais compreendidas monolítica e isoladamente, e sim de sistemas (mexicano y brasileiro) que comportam, cada um deles, pelo menos três gerações atualmente em convívio. Ditos sistemas, de por si também múltiplos, podem ser concebidos como emblema do complexo espaço literário latino-americano.

    Apesar de se apresentarem como dois relevantes mercados literários em língua espanhola e portuguesa, as literaturas mexicanas e brasileiras contemporâneas se articulam a partir de um relativo ou aparente desconhecimento mútuo. A partir desta perspectiva, a proposta do número 50 da Revista Cerrados é repensar o espaço da literatura latino-americana para além das circunscrições disciplinares já consagradas, desde o estudo e análise de casos concretos de recepção e de relações intertextuais que apontem para a dinâmica de construção de um diálogo crítico-artístico-intelectual entre México e Brasil.

    A revista receberá artigos que contribuam para a reflexão sobre os mútuos processos de recepção e sobre as relações entre textos e obras literárias contemporâneas produzidas no México e no Brasil (sobretudo na segunda metade do século XX e século XXI), e que se debrucem, especialmente, sobre  três tipos de relações intertextuais: traduções de obras literárias do espanhol ao português e vice-versa, publicadas no México e/ou no Brasil; intercâmbios culturais entre autores, críticos ou outros agentes literários mexicanos e brasileiros retratados em obras e/ou textos representativos; poéticas literárias comuns ou próximas de autores dos dois sistemas literários em destaque.

  • v. 26 n. 45 (2017)

    Edição Especial em homenagem a Antonio Candido, Roberto Schwarz e Francisco Alvim.

  • Dossier Rachid Boudjedra
    v. 25 n. 43 (2016)

  • Osmar Lins: 90 anos
    v. 23 n. 37 (2014)

  • Literaturas e culturas africanas
    v. 19 n. 30 (2010)

    A proposta era contribuir para ampliar e aprofundar a reflexão sobre os fundamentos da cultura, história e literatura africanas, no que toca à explicitação das particularidades, bem como ao mapeamento das extensas conexões literárias, históricas e culturais entre Brasil e África, principalmente a de Língua Portuguesa.
  • Poesia: percurso
    v. 1 n. 1 (1992)