Festa junina: patrimônio cultural imaterial, memória e silenciamento
DOI:
https://doi.org/10.26512/rici.v18.n3.2025.59193Palavras-chave:
Festa junina, Memória, Patrimônio cultural imaterialResumo
As reflexões sobre cultura e representações sociais do conhecimento perpassam pela discussão a respeito do uso dos conceitos, práticas socioculturais e dinâmicas das estruturas de poder, fazendo lembrar ou esquecer uma manifestação, a exemplo a festa junina. No Brasil, o festejo passou pelo ato de patrimonialização, marcando o valor cultural, o respeito à preservação da memória e a conservação da manifestação cultural como patrimônio nacional. A festa carrega uma série de significados e sentidos para além da marcação do cristianismo, sugerindo a afirmação da singularidade de parte do território nacional e a preservação das tradições comunitárias em todo o país. Cada lugar, contexto histórico e situacional organiza as nuances dos festejos de modo singularizado, balizando as diferenças do ethos territorial e, por consequência, positivando os processos de hibridação cultural. Enquanto patrimônio cultural imaterial, o festejo suscita reflexões sobre a importância da representação social do conhecimento estar alinhada aos atravessamentos informacionais e culturais, tanto individuais ou coletivos, marcando assim, a memória, identidade e resistência de um povo por via do corte cultural. Sabbag, Rocha, Achilles e Takahashi (2023) apontam a classificação como uma operação que pode organizar um conjunto de objetos, coisas, seres e saberes em classes, seja a partir de relacionamentos lógicos e, ontológicos, por meio de critérios específicos, escolhendo, separando, dividindo e aproximando, no entanto, de forma arbitrária. Nesse sentido, a continuação dessa pesquisa é direcionada pela seguinte indagação: Que dinâmicas ou atravessamentos produzem as lembranças ou os esquecimentos sociais quando classificamos e representamos a festa junina, como patrimônio cultural imaterial, em sistemas de organização do conhecimento? Questão posta, o objetivo desta comunicação é dar continuidade a pesquisa “Caleidoscópio do Sistema de Organização do Conhecimento: a manifestação cultural Festa Junina”, apresentada na ISKO Iberico, em 2023, Madri - Espanha, e, com isso, retomá-la focalizando questões relacionadas à memória, informação e sociedade. Assim, a partir de um corte social, de caráter exploratório, com delineamento teórico qualitativo, utilizando como procedimento técnico a pesquisa bibliográfica, essa comunicação repensa a festa junina cotejando a ideia de território da memória fragmentada, admitindo a complexidade de compreensão sobre esse conceito face aos entrecruzamentos dos estudos em Memória Social e em Ciência da Informação. Conclui que a reterritorialidade do patrimônio cultural imaterial festa junina participa de jogos de forças vinculados às estruturas de poder, produzindo diferentes formas de preservação e resistência, evitando assim, determinados silenciamentos produzidos pelas esferas do poder.
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