Entre Becos e Inimigos
a Política de Drogas e o Encarceramento Racial Seletivo sob a Ótica do Direito Penal do Inimigo
Palavras-chave:
Direito Penal do Inimigo , Encarceramento em Massa , Seletividade Racial , Lei de DrogasResumo
O presente trabalho propõe-se a analisar de forma crítica a seletividade penal racializada sob a luz da teoria do Direito Penal do Inimigo de Günther Jakobs, demonstrando como práticas institucionais transformam determinados sujeitos em “inimigos” a serem combatidos. Com enfoque qualitativo, a pesquisa é de cunho bibliográfico e documental e busca analisar a origem histórica da legislação antidrogas, os discursos jurídicos que legitimam o controle social seletivo, os dados que comprovam a racialização do atual modelo de política criminal brasileira. O objetivo geral desta pesquisa consiste em analisar criticamente a política de drogas brasileira e as políticas criminais repressivas e sua relação com o encarceramento racialmente seletivo, investigando como o direito penal do inimigo se manifesta nas práticas institucionais e nos discursos jurídicos que sustentam a guerra às drogas no Brasil. A questão central deste estudo pode ser resumida da seguinte forma: Como a política de drogas no Brasil se torna uma ferramenta de seletividade criminal racializada e como essa operação pode ser entendida em termos do conceito de direito penal inimigo? Por fim, o trabalho traz uma compreensão dos mecanismos de manutenção da desigualdade estrutural do sistema de justiça penal brasileiro e contribui para o debate, trazendo dados e referências importantes da perspectiva central do tema. Portanto, há uma seletividade penal racial, que corrobora para os altos índices de pessoas pretas encarceradas.
Downloads
Referências
ALEXANDER, Michelle. A nova segregação: racismo e encarceramento em massa. 1. ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2018.
ALMEIDA, Sílvio Luiz de. Racismo estrutural. São Paulo: Jandaíra: Selo Sueli Carneiro – Coleção Feminismos Plurais, 2019.
ALVES, Aline Santana. A presunção da inocência e o “negro de alma branca”. In: GELEDÉS. Artigos e reflexões: cidade: Questão Racial, 2019. p. 110-120. Disponível em: https://www.geledes.org.br/a-presuncao-de-inocencia-e-o-negro-de-alma-branca/. Acesso em: 14 maio 2025.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.google.com/search?client=opera&q=referencia+da+cf88+abnt&sourceid=opera&ie=UTF-8&oe=UTF-8. Acesso em: 10 maio 2025.
BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Políticas Penais. RELIPEN 2º Semestre de 2024. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/senappen/pt-br/servicos/sisdepen/relatorios/relipen/relipen-2o-semestre-de-2024.pdf. Acesso em: 20 maio 2025.
BRASIL. Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas – Sisnad [...]. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 24 ago. 2006.
BORGES, Juliana. Encarceramento em massa. São Paulo: Pólen Livros, 2019.
CARNEIRO, Henrique Soares. As drogas e a história da humanidade. Diálogos, São Paulo, v. 6, n. 6, p. 14-15, nov. 2009. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001964053. Acesso em: 20 maio. 2025.
FEITOSA, Gustavo Raposo Pereira; LEITE, Lívia Chaves. Lei Antidrogas no Brasil: nova segregação racial? Revista de Direito, Viçosa, v. 13, n. 2, p. 1-30, 2021.
FLAUZINA, Ana Luiza Pinheiro. Corpo negro caído no chão: o sistema penal e o projeto genocida do Estado brasileiro. 2006. Dissertação (Mestrado em Direito) – Coordenação de Pós-Graduação em Direito, Universidade de Brasília, Brasília, 2006
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2011.
G1. Brasil gasta quase R$ 600 milhões ao ano com presos condenados por portar até 100 gramas de maconha. G1, 26 jun. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2024/06/26/brasil-gasta-quase-r-600-milhoes-ao-ano-com-presos-condenados-por-portar-ate-100-gramas-de-maconha.ghtml. Acesso em: 14 maio 2025.
GIL, Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Número de réus negros em crimes por tráfico de drogas no Brasil é duas vezes superior ao de brancos. Brasília, 31 out. 2023. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/categorias/45-todas-as-noticias/noticias/14107-numero-de-reus-negros-em-crimes-por-trafico-de-drogas-no-brasil-e-duas-vezes-superior-ao-de-brancos. Acesso em: 20 maio 2025.
JAKOBS, Günther; MELIÁ, Manuel Cancio. Direito Penal do Inimigo: noções e críticas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007.
LEMOS, Lívia. Lei de Drogas é a maior responsável por encarceramento em massa da população negra. Jornal da USP, São Paulo, 2024. Disponível em: https://jornal.usp.br/diversidade/lei-de-drogas-e-a-maior-responsavel-por encarceramento-em-massa-da-populacao-negra/. Acesso em: 20 maio 2025.
MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio; MENEZES, Palloma Valle. (Des)continuidades na experiência de “vida sob cerco” e na “sociabilidade violenta”. Novos Estudos CEBRAP, São Paulo, n. 109, p. 99-121, maio 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/nec/a/drpnMqtGffQ9wgpjKGRKgJM/. Acesso em: 15 maio 2025.
MALDONADO-TORRES, Nelson. Analítica da colonialidade e da decolonialidade: algumas dimensões básicas. In: BERNARDINO-COSTA, Joaze; MALDONADO-TORRES, Nelson; GROSFOGUEL, Ramón (orgs.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2020. p. 27-53.
MEZZAROBA, Orides. Manual de Metodologia da Pesquisa no Direito. 5º.ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
MOURA, Jéssica das Virgens. O direito penal do inimigo e a seletividade do sistema penal brasileiro no caso Rafael Braga. 2018. Monografia (Bacharelado em Direito) – Centro Universitário de Brasília, Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, Brasília, 2018. Disponível em: https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/12473/1/21380686%20Jessica%20Mauro.pdf. Acesso em: 18 maio 2025.
NASCIMENTO. Bianca Souto do. A desumanização das pessoas privadas de liberdade: uma análise semiótica. Congresso Internacional de Semiótica e Cultura – anais, João Pessoa (PB), 1º. Ed. p. 129-141, 2014.
NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
PAIVA, Beatriz Amâncio; LIMA, Maria Eduarda Loureiro e. Seletividade penal: estudo do caso de Rafael Braga à luz da música “Estereótipo” de Rashid. Revista Transgressões: Ciências Criminais em Debate, v. 8, n. 2, p. 40–56, dez. 2020.
SAAD, Luísa. “Fumo de negro”: a criminalização da maconha no pós-abolição. Salvador: EDUFBA, 2018.
SANTOS, Juarez Cirino dos. Direito penal: parte geral. 6. ed. Curitiba: ICPC Cursos e Edições, 2014.
SHECAIRA, Sérgio Salomão. Tolerância zero. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, v. 77, ano 17, 2009.
VALOIS, Luís Carlos. O direito penal da guerra às drogas. 3. ed., 4. reimp. Belo Horizonte; São Paulo: D’Plácido, 2021.
ZAFFARONI, Eugênio Raul. Criminología: aproximación desde un margen. Santa Fé de Bogotá, Colômbia: Temis, 1993.
ZAFFARONI, Eugênio Raul. El sistema penal y el discurso jurídico. In: La justicia penal hoy: de su crisis a la búsqueda de soluciones. Buenos Aires: Fabián J. Di Placido, 2000.
ZAFFARONI, Eugênio Raul; BATISTA, Nilo; ALAGIA, Alejandro; SLOKAR, Alejandro. Direito penal brasileiro I. Rio de Janeiro: Revan, 2003.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Moádylla Gabriella Sobreira de Oliveira, Mariana Lacerda Cervantes de Carvalho, Fernando Menezes Lima

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.



