Políticas públicas e o desenvolvimento de sistemas agroalimentares orgânicos: o caso da Dinamarca

Autores

  • Lucas Ferreira Lima Instituto de Economia/UNICAMP https://orcid.org/0000-0001-5839-2834
  • Lucimar Santiago de Abreu EMBRAPA Meio Ambiente
  • Ademar Ribeiro Romeiro Professor Titular no Instituto de Economia da UNICAMP

DOI:

https://doi.org/10.33240/rba.v18i6.51303

Palavras-chave:

Sistemas agroalimentares orgânicos, Círculo virtuoso, Agentes públicos e privados, Dinamarca

Resumo

O desenvolvimento de sistemas agroalimentares orgânicos na Dinamarca se destaca globalmente e é resultado de políticas de estímulo à agricultura sustentável. Essas políticas têm contribuído para a mitigação de problemas ambientais, melhoria de indicadores de alimentação e saúde e geração de renda para os produtores rurais. O processo de desenvolvimento rural experimentado por esse país nórdico europeu gerou, de um lado, a ampliação da oferta de produtos orgânicos e, de outro, o aumento da demanda por produtos orgânicos, tornando os dinamarqueses os líderes mundiais no consumo de produtos orgânicos. Assim, o objetivo desse artigo é mostrar que nesse país há um círculo virtuoso de interação entre atores públicos e privados que o coloca em destaque mundial na produção e consumo de produtos orgânicos. Para tanto, após a introdução, esse artigo apresenta uma revisão da literatura especializada contendo a trajetória institucional do desenvolvimento da produção orgânica na Dinamarca desde o último quartil do século XIX, perpassando pelas ações e práticas dos diversos atores locais e movimentos sociais de agricultura orgânica. Por fim, o trabalho destaca as lições aprendidas desta experiência, onde o sucesso experimentado pelo país não foi fruto do acaso, mas sim de políticas públicas bem formuladas e parcerias bem-sucedidas entre atores das esferas públicas e privadas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lucas Ferreira Lima, Instituto de Economia/UNICAMP

Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestre e Doutor em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da UNICAMP. Pesquisador de Pós-doutorado no Instituto de Economia da UNICAMP e Pesquisador associado a dois Projetos FAPESP: 1) Contribuições do pagamento por serviços ambientais sobre múltiplas dimensões na Mata Atlântica (Processo: 2021/10195-0); 2) Avaliação e monitoramento de iniciativas alternativas ao desmatamento no Sudoeste da Amazônia Brasileira (Processo: 2022/10403-4). Atua principalmente nos seguintes temas: Desenvolvimento Econômico, Desenvolvimento Rural, Desenvolvimento Sustentável, Economia Agrícola, Economia Ecológica, Economia do Meio Ambiente, Macroeconomia, Microeconomia e Metodologias de Apoio Multicritério à Decisão.

Lucimar Santiago de Abreu, EMBRAPA Meio Ambiente

Engenheira Agrônoma, possuí Mestrado em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (1994) e Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2002). Estágio Pós Doutoral pela Universidade de Paris X, realizado em 2011. Participou de diversos projetos de cooperação internacional, entre os quais, destaco, o Projeto de comparação internacional do desenvolvimento da produção orgânica, financiado pelo ICROFS/DK (https://icrofs.dk/en/). A Missão de Estudo Internacional realizada entre novembro de 2014 e fevereiro de 2015, vinculada ao conjunto de atividades do Projeto Capes Cofecub, de Cooperação entre instituições brasileiras e francesas, entre outros projetos. Desde 1984 é pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (www.embrapa.br/meio-ambiente). Desenvolve pesquisas no campo da transição ecológica da agricultura familiar, mercados locais, desenvolvimento rural sustentável e territórios. Atualmente, é membro de redes sociotécnicas da agricultura orgânica e da rede de estudos rurais. Desde 2006, contribui junto à UFSCar, onde é professora do Programa de Pós Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Rural (PPGADR). Autora de livros sobre desenvolvimento sustentável e relação dos atores sociais com recursos naturais, incluindo análises da percepção social do risco ecológico em territórios, contribui também, com a publicação de um conjunto de artigos, capítulos de livros, temas abordados partir da perspectiva das ciências sociais.

Ademar Ribeiro Romeiro, Professor Titular no Instituto de Economia da UNICAMP

Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas (1975), mestrado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1977) e doutorado em Economia na Universidade de Paris (EHESS/França - 1986). Pós-Doutorado na Universidade de Stanford (SU/EUA - 1994) e na Escola Nacional de Engenharia de Águas e Florestas (ENGREF/ França - 2007/08) . Atualmente é professor titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economias Agrária e dos Recursos Naturais, atuando principalmente nos seguintes temas: meio ambiente, progresso técnico, agricultura e meio ambiente, reforma agraria e agricultura sustentável, economia ecológica.

Referências

ABREU, L. S., BELLON, S., BRANDENBURG, A., OLLIVIER, G., LAMINE, C., DAROLT, M. R., & AVENTURIER, P. Relações entre agricultura orgânica e agroecologia: desafios atuais em torno dos princípios da agroecologia. Desenvolvimento e Meio Ambiente, 26. 2012.

ABREU, L. S.; KLEDAL, PG.; PETTAN, K.; RABELLO, F.; MENDES, S. C. Trajetória e situação atual da agricultura de base ecológica no Brasil e no Estado de São Paulo. Cadernos de Ciência e Tecnologia. Vol. 26, n.1/3 - jan./mar. (2009). EMBRAPA, Brasília. 2009.

BJERRE, D. Økologi og markedstilpasning; Erhvervsskolernes Forlag. 1997a.

BJERRE, D. Økologi, salg og samfund; Erhvervsskolernes Forlag. 1997b.

BJØRN, C. (1982). Dansk mejeribrug 1882-2000. Odense. 1982.

BOMBARDI, L. M. Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia. São Paulo: FFLCH - USP. 2017.

CARNEIRO, F. F. (Org.) Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde / Organização de Fernando Ferreira Carneiro, Lia Giraldo da Silva Augusto, Raquel Maria Rigotto, Karen Friedrich e André Campos Búrigo. Rio de Janeiro: EPSJV; São Paulo: Expressão Popular. 2015.

CHRISTENSEN, J. Alternativer - Natur - Landbrug; Akademisk Forlag. 1998.

EHLERS, E. (1994). A agricultura alternativa: uma visão histórica. Estudos Econômicos, São Paulo, v.24, n.espg., pg.231-262. 1994.

EHLERS, E. Agricultura Alternativa: uma perspectiva histórica. Revista Brasileira de Agropecuária, ano 01, n.01, pg.24-37. 2000.

EHLERS, E. Agricultura Sustentável: Origens e perspectivas de um novo paradigma. São Paulo: Livros da Terra. 1996.

EHLERS, E. O que se entende por agricultura sustentável? São Paulo: Procam/USP. 1994.

FRADE, C. O. A construção de um espaço para pensar e praticar a Agroecologia na UFRRJ e seus arredores. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: CPDA/UFRRJ. 2000.

GEER, T.; JØRGENSEN, T. V. (1996). Ø-mærket; Erhvervsskolernes Forlag. 1996.

HOLMEGARD, J. Økologiens pionertid; Erhvervsskolernes Forlag. 1997.

INGEMANN, J. H. Arven fra Køge-resolutionen. IN B.B. Thomsen (ed.): De forvandlede landet. Viborg. 1997.

INGEMANN, J. H. Økologisk landbrug mellem historie og principper. Institut for Økonomi, Poltik og Forvaltning. 2002.

INGEMANN, J. H. Strukturudviklingen i dansk landbrug – overvejelser om effekter, årsager og landbrugspolitiske valg; Forskningsrapport fra Institut for Økonomi, Politik og Forvaltning. 1998.

INGEMANN, J. H. The evolution of organic agriculture in Denmark. OASE Working Paper No. 2006: 4. Economics, Politics and Public Adminstration, Aalborg Unversity. 2006.

LANDBRUGSMAGASINET. nr. 38. 1986.

LIMA, L. F. Análise comparada da trajetória do desenvolvimento da agricultura orgânica no Brasil e na Dinamarca. 195 p. Tese (Doutorado) – Instituto de Economia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, [Brasil]. 2021.

LIMA, L. F., ROMEIRO, A. R., de ABREU, L. S., & MANGABEIRA, J. D. C. Construção de uma tipologia para a produção orgânica no Brasil. In: 59º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural; 6º Encontro Brasileiro de Pesquisadores Em Cooperativismo, 2021, Brasília, DF. Anais. Brasília, DF: UnB, 2021. 19 p. SOBER 2021, EBPC 2021. Evento online. 20 p. 2021.

LYNNERUP, M. Jordbrugsstudiegruppen. IN J.H. Ingemann (ed.); Økologisk landbrug. 2003.

MADSEN, P. G. Økologi og historie; Forlaget Systime. 1997.

MEADOWS, D. et al. Limites do crescimento: um relatório para o projeto do Clube de Roma sobre os problemas da humanidade. São Paulo: Perspectiva. 1972.

ØKOLOGISK JORDBRUG. various n°.s. 1992.

ØKOLOGISK JORDBRUG. various n°.s. 1993.

ØKOLOGISK JORDBRUG. various n°.s. 1997.

ØKOLOGISK JORDBRUG. various n°.s. 1999

PNUD. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 2015. Disponível em: <https://www.br.undpg.org/content/brazil/pt/home/sustainable-development-goals.html>. Acessado em 11 Junho de 2022.

ROMEIRO, A. R. Desenvolvimento sustentável: uma perspectiva econômico-ecológica. Estudos Avançados, v. 26, n. 74, pg. 65-92. 2012.

SKRUBBELTRANG, F. Den danske husmand. Vol. 1 and 2. København. 1954.

UNEP. Global outlook on SCP policies: taking action together. [S.l: s.n.]. 2012.

UNEP. Towards a green economy: pathways to sustainable development and poverty erradication . [S.l: s.n.]. 2011.

WILLER, H.; SCHLATTER, B.; TRÁVNÍČEK, J.; KEMPER, L.; LERNOUD, J. (Eds.). The World of Organic Agriculture Statistics and Emerging Trends 2020. 21st edition. Research Institute of Organic Agriculture (FiBL) and IFOAM – Organics International, Frick and Bonn. 2020.

Downloads

Publicado

2023-12-20

Edição

Seção

Artigos

Artigos Semelhantes

<< < 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.