Gestos do desvio

uma discussão estética sobre o habitar a cidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18830/1679-09442025v18e56765

Palavras-chave:

Gesto, Desvio, Afeto, Cidade, Desejo

Resumo

Ao tomar o momento atual como um período de transformação nas composições sociais, existenciais e, consequentemente, transformações nos desejos para se constituir cidades, este artigo se propõe a fazer uma construção teórica do que são os gestos do desvio e como eles podem anunciar novas conformações de cidade através do corpo das pessoas que habitam esses espaços. Dessa forma, pretende-se estabilizar um entendimento do que seriam os gestos aqui trabalhados, ao utilizar contribuições do filósofo Giorgio Agamben e da filósofa Barbara Formis, principalmente quando ela trata sobre a questão do gesto ordinário. Além disso, também se buscará uma estabilização do que se entende por desvio, ainda no campo filosófico, ao tomar autores como Gilles Deleuze e Félix Guattari e suas reflexões sobre como uma sociedade pode se conformar. Esses conceitos são aproximados do campo do urbano através de uma tentativa de composição de nebulosas, nos termos de Margareth da Silva Pereira, pois compreendem-se possibilidades de entrelaçamentos, porém sempre admitindo uma certa instabilidade e movimento. Assim, ao entender os gestos do desvio presentes na cidade como uma enunciação do desejo dos modos de habitar, chega-se à identificação de dois regimes possíveis de desvio no real social relacionados ao entendimento de macropolítica e micropolítica.

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Biografia do Autor

Lígia Maria Mello Dias, Universidade Federal do Rio de Janeiro; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; Programa de Pós-Graduação em Urbanismo

Graduada em Arquitetura e Urbanismo e mestre em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco. Após o mestrado, realizou um post-master na École Nationale Supérieure d'Architecture de Paris-La Villette (ENSAPLV), no qual continuou a desenvolver os seus interesses de pesquisa centrados no corpo e na cidade. Durante o post-master participou do Laboratório Gerphau (Groupe d'Étude et de Recherches Philosophie, Architecture, Urbain), onde pode se aprofundar no campo da filosofia e desenvolver uma percepção estética sobre o encontro do corpo com a cidade e os desdobramentos que esse encontro promove tanto na cidade, como na corporeidade ao produzir performatividades. Atualmente é doutoranda no PROURB/UFRJ, membro do laboratório de estudos Urbanos (leU) e desenvolve pesquisas no campo da Estética e do Urbanismo.

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Publicado

24-10-2025

Como Citar

Dias, L. M. M. (2025). Gestos do desvio: uma discussão estética sobre o habitar a cidade. Paranoá, 18, e56765. https://doi.org/10.18830/1679-09442025v18e56765

Edição

Seção

Teoria, História e Crítica

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