Campo minado: Considerações sobre o poder e a antropologia na identificação e delimitação de terras indígenas

Autores

  • Cristhian Teófilo da Silva Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.26512/interethnica.v6i2.12338

Palavras-chave:

Territorialização. Indigenismo. Antropologia.

Resumo

Este trabalho tem o objetivo de formular considerações gerais sobre o poder e suas implicações para os trabalhos antropológicos de identificação e delimitação de terras indígenas. Para tanto, partirei de minha própria experiência enquanto antropólogo-coordenador do Grupo de Trabalho ”“ GT da Fundação Nacional do Índio - FUNAI responsável pelo reconhecimento territorial das terras ocupadas tradicionalmente pelo povo indígena Tremembé próximas ao córrego João Pereira ”“ Ceará/Brasil. O estímulo inicial para a elaboração destas considerações se deu justamente pela necessidade de repensar o lugar atribuído ao antropólogo como coordenador dos Grupos de Trabalho e como intermediário entre as demandas indígenas e os propósitos administrativos do Estado. Concluirei com uma proposição teórica mais ampla que visa ressaltar o aspecto político das reivindicações indígenas e provocar os antropólogos a redefinir o papel atribuído a ele pelo órgão indigenista.

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Biografia do Autor

Cristhian Teófilo da Silva, Universidade de Brasília

Doutorando em Antropologia Social PPGAS/UnB .

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Publicado

2014-01-08

Como Citar

SILVA, C. T. da. Campo minado: Considerações sobre o poder e a antropologia na identificação e delimitação de terras indígenas. Revista de Estudos em Relações Interétnicas | Interethnica, [S. l.], v. 6, n. 2, p. 40–58, 2014. DOI: 10.26512/interethnica.v6i2.12338. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/interethnica/article/view/12338. Acesso em: 20 jun. 2021.

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