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v. 15 n. 2 (2025): RES 2-2025
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A universidade tem evitado pensar mais a fundo. Não percebe como propostas identitárias têm servido para esconder questões, desviar o foco da atenção. A qualidade de uma obra de arte ou teórica não deriva do gênero, da religião, da cor da pele ou da opção sexual de seu autor, mas já se pode supor que, quando se apela para isso, já se tem aí um sintoma de que a obra não é tão boa quanto se pretende. Impede-se que se pense e se debata algo como a diferença entre o princípio da igualdade e a igualação do diferente.
Quando se olha com cuidado para uma vela acesa, percebe-se que o seu centro luminoso é escuro, como se a luz brotasse da escuridão. Quando se olha um olho, vê-se que a pupila é negra, como se a escuridão propiciasse a visão. Em ambos os casos, é o escuro que propicia a luz e sua percepção. Ele é a condição fundante do seu contrário. Trata-se, portanto, de algo complementar.
Para manter os privilégios de 1% da população rica, gera-se uma guerra semiótica e hermenêutica, tratando de manipular a maioria para que aceite ser explorada. O espaço público se torna espaço de uma guerra de símbolos e versões, tanto mais eficientes quanto mais inconscientes forem. A obra de arte se torna espaço de uma batalha hermenêutica, em que se produzem iluminações para escamotear dimensões mais fundamentais dos objetos. Quanto mais relevantes forem, tanto mais se faz de conta que a escuridão é luz, para que as luzes não apareçam.

ISSN 2238-362X

Publicado: 26-12-2025

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