O texto literário como espaço de memória em O crime do cais do Valongo, de Eliana Alves Cruz
DOI:
https://doi.org/10.26512/cerrados.v34i69.59758Palavras-chave:
O crime do Cais do Valongo, Eliana Alves Cruz, apagamento negro, intersecção de raça e gênero, metaficção historiográficaResumo
Este artigo objetiva discutir a relevância do texto literário como espaço de enfrentamento ao apagamento do povo negro, sua história e memória em solo brasileiro a partir do romance O crime do Cais do Valongo (2018), da escritora brasileira Eliana Alves Cruz. A narrativa em questão, ao reinventar o Cais do Valongo entre a ficção e a história, contribui para um exercício necessário de resgate memorialístico e ressignificação da ancestralidade africana no Brasil. Buscamos trazer, no cerne de nossas reflexões, indícios de que o romance de Cruz corrobora a valorização da existência e luta das mulheres negras, aspecto caro para os debates que pretendemos desenvolver, dado o enfoque na interseccionalidade de raça e gênero na obra de Cruz publicada até então e vislumbrada na narrativa a qual analisamos.
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