Cinismo e Parresía: Um Paralelo entre Foucault e Montaigne

Palavras-chave: Foucault. Montaigne. Ética. Parresía. Cuidado de Si.

Resumo

O período final do trabalho de Foucault no Collège de France pode ser interpretado, em parte, como resultado de uma intensa influência de Pierre Hadot no desenvolvimento do seu pensamento e por ser uma tentativa de reconquistar a sabedoria perdida dos filósofos helenistas e romanos. Ambos consideram Montaigne como um dos pioneiros, talvez o único filósofo moderno que tenha compreendido a extrema relevância dessa questão. Os Ensaios criam uma base histórica concreta, pois estabelecem um diálogo íntimo com a tradição helenística e romana, produzindo assim algo único no contexto da literatura renascentista. O plano desta apresentação é explorar mais especificamente o cinismo e um dos princípios fundamentais dessa escola, a noção de parresía (fala franca), em uma tentativa de compreender como o modelo de vida cínico foi assimilado por Foucault e Montaigne. Ao se dedicar à temática do cuidado de si, Foucault revela seu desencanto com o obscurantismo da filosofia cristã e com a cegueira deixada como herança pelo mecanicismo da filosofia cartesiana. A maneira de reverter isso seria olhar para o passado e Montaigne seria o caminho certo a ser percorrido.

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Biografia do Autor

Bruno Alonso, Universidade Federal Fluminense, UFF

Graduado em Filosofia pela Universidade Federal Fluminense (Bacharelado em 2015 e Licenciatura em 2018) e Mestre em História da Filosofia pela Universidade Federal Fluminense (2018). Atualmente cursa Doutorado em História da Filosofia pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGF) e Bacharelado em Língua e Literatura Grega pela Universidade Federal Fluminense. Pesquisador com experiência na área de Filosofia com ênfase em Filosofia Grega e Romana assim como na Filosofia Renascentista.

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Publicado
2019-05-13
Como Citar
ALONSO, B. Cinismo e Parresía: Um Paralelo entre Foucault e Montaigne. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, v. 7, n. 1, p. 115-130, 13 maio 2019.