O PÊNDULO GUARANI território, memória e história no tekoha Apyka’i

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Bruno Martins Morais

Resumo

Resumo: Entre as modulações do conceito de tekoha, polarizaram os que entendem como a projeção de uma categoria nativa de organização do espaço e da vida das comunidades guarani; e, do outro, os que acusam uma a-historicidade desse entendimento, que não contemplaria a dimensão reivindicatória da demarcação dos territórios indígenas diante do Estado Nacional. Neste artigo, repiso os termos desse debate para requalificar os tekoha como “territórios-memória” a partir da caracterização de um acampamento de retomada Kaiowá e Guarani no Mato Grosso do Sul – o tekoha Apyka’i, chefiado por Dona Damiana. Diante de uma etnografia desse acampamento, o conceito de “territórios-memória” aparece com a potência de superar essa aparente dicotomia, e avançar na tradução dessas contradições em que se inscreve a vida de um povo. Guardo a esperança de que se possa, ao final, haver experimentado em parte o fino exercício de crítica histórica que permite os Kaiowá e Guarani modular as concepções de sua territorialidade entre diferentes registros, em uma absoluta indiferença ao constrangimento da teoria antropológica.


Palavras-chave: memória, territorialidade, direitos, guarani, teoria antropológica

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Como Citar
MoraisBruno Martins. 2018. “O PÊNDULO GUARANI”. Abya-Yala: Revista Sobre Acesso à Justiça E Direitos Nas Américas 2 (2), 121-39. https://doi.org/10.26512/abya-yala.v2i2.13067.
Seção
Dossiê

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