Simbolização e análise sociológica: fronteiras sociais, classificações e mobilidade a partir do longa-metragem Parasita

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Salete Nery

Resumo

Simbolizações são expressivas e orientadoras de condutas. A partir desta afirmação, buscamos analisar o longa-metragem Parasita, produção sul-coreana de 2019 e vencedora de diferentes prêmios internacionais, a partir do tema das fronteiras sociais, analisado mediante sua relação com duas categorias sociológicas fundamentais: classificação e mobilidade social. Buscamos compreender a aparente inflexibilidade das barreiras sociais e o modo como a estigmatização pela distinção entre cheiros corpóreos atribuídos a partir do recorte de pertencimento socioeconômico é acionado como recurso complementando o debate sobre fronteiras sociais. Tomamos por referência a concepção de que as simbolizações têm seus significados constituídos na totalidade forma-conteúdo. Deste modo, concluímos o debate com a retomada do tema sobre as fronteiras sociais na observância da estratégia de seu diretor e roteirista, Bong Joo-ho, de ter sua obra não facilmente classificável em termos de um gênero específico.

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Como Citar
Nery, S. (2022). Simbolização e análise sociológica: fronteiras sociais, classificações e mobilidade a partir do longa-metragem Parasita. Sociedade E Estado, 37(01), 75–99. https://doi.org/10.1590/s0102-6992-202237010004
Seção
Dossiê
Biografia do Autor

Salete Nery, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

Professora do Colegiado de Ciências Sociais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Cachoeira, BA, Brasil. Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB e do Programa de Pós-Graduação em Memória , Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual Do Sudoeste Da Bahia (UESB). Líder do Grupo de Pesquisa Corpo, Socialização e Expressões Culturais (ECCOS/UFRB) e pesquisadora do Grupo Cultura, Memória e Desenvolvimento (CMD/UnB).

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