“A tradicional família pré-histórica”

ensaio analítico a partir do diálogo entre museologia, arqueologia e crítica feminista

Auteurs-es

  • Camila Azevedo de Moraes Wichers

DOI :

https://doi.org/10.26512/museologia.v14i28.60448

Mots-clés :

Museologia; Arqueologia; gênero; crítica feminista; família.

Résumé

Historicamente, a prática arqueológica e os museus estão imbricados com o patriarcado capitalista de supremacia branca. Nesse ensaio, examino como essa herança está marcada em discursos museais e educacionais devotados a divulgar a arqueologia para um público amplo. Inserido em uma pesquisa de longo-termo, o texto organiza-se em dois eixos: primeiramente, sistematiza as bases teóricas-metodológicas trabalhadas em outras escritas para, em um segundo momento, analisar como um certo ideal de família está marcado nas referidas narrativas museais e patrimoniais, ideário que se torna combustível para os discursos normativos da extrema direita no mundo contemporâneo. A museologia social, a arqueologia feminista e, em especial, os feminismos negros são as inspirações teóricas do ensaio, demonstrando que as coisas arqueológicas, nas narrativas examinadas, são interpretadas a partir da reprodução das noções de gênero e sexualidade da sociedade moderna e ocidental, não refletindo as relações pretéritas, ainda que esse passado seja instrumentalizado como argumento de autoridade no presente. 

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Publié-e

2025-12-24

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Moraes Wichers, C. A. de. (2025). “A tradicional família pré-histórica”: ensaio analítico a partir do diálogo entre museologia, arqueologia e crítica feminista. Museologia & Interdisciplinaridade, 14(28), 26–38. https://doi.org/10.26512/museologia.v14i28.60448

Numéro

Rubrique

Dossiê comemorativo 15 anos do curso de museologia da UnB

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