PIGMENTOCRACIA E A EXPERIÊNCIA DO PRETERIMENTO NA HOMOSSEXUALIDADE NEGRA

Autores

  • Dina Maria Martins Ferreira Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada, Universidade Estadual do Ceará, Université Paris V, Sorbonne
  • Tibério Caminha Universidade Estadual do Ceará

DOI:

https://doi.org/10.26512/les.v18i2.5796

Palavras-chave:

sexualidade, racismo, Corporalidade, Pigmentocracia

Resumo

O racismo é sempre um tema atual, mas sua discussão fora da relevância de um processo histórico de naturalização cambaleia para a hipocrisia do politicamente correto. Supostamente, a cor da pele dentro de um sistema sócio-econômico de segregação informa a qualidade do sujeito, de sua índole, classe social e sexualidade. Cada um desses elementos é parte de uma complexa estrutura de dominação que produz subalternidades. O racismo enquanto prática social se sustenta no repertório do simbolismo corporal e nos modelos étnicos de afetividade. O presente artigo busca fomentar uma reflexão sobre as mudanças paradigmáticas pondo em foco as implicações da cor da pele na homossexualidade. Para tanto, criticamos o problema das subalternidades dispersas e dos objetivos difusos nos movimentos sociais, apontamos o papel desempenhado pela grande mídia na institucionalização de identidades e discutimos sobre a experiência do preterimento na homossexualidade negra como um efeito da homonormatividade sub-hegemônica.

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Biografia do Autor

Dina Maria Martins Ferreira, Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada, Universidade Estadual do Ceará, Université Paris V, Sorbonne

Dina Maria Machado Andréa Martins Ferreira (nome de autoria: Dina Maria Martins Ferreira) é pós-doutora pela Université de Paris V, Réné Descartes, Sorbonne e Universidade Estadual de Campinas/Unicamp (2010), pós-doutora pela Universidade Estadual de Campinas/Unicamp (2002-2003), doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ (1995). Sua produção bibliográfica é extensa: livros, capítulos de livros, organização de livros, artigos internacionais e nacionais. Suas principais obras: Nova Pragmática: Modos de Fazer (org.; cap.; prelo.); Imagens: o que fazem e significam (2010; org. cap.); O discurso Feminino e Identidade Nacional (2ª.ed., 2009; autoria solo); Não pense, veja: o espetáculo da linguagem no palco do Fome Zero (2006, autoria solo); Políticas em Linguagem: perspectivas identitárias (2006; org. e cap.). Atua nas áreas de políticas de representação, linguagens, prática científica. É líder do Grupo de Pesquisa (CNPq) Pragmática Cultural, Linguagem e Interdisciplinaridade.  Filiação: Professor Visitante concursada, CLT, Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual do Ceará/UECE.

Tibério Caminha, Universidade Estadual do Ceará

Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada, Universidade Estadual do Ceará; mestre em Linguística Aplicada, Universidade Estadual do Ceará; especialização em Tradução, Universidade Estadual do Ceará

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Publicado

2017-10-06

Como Citar

Ferreira, D. M. M., & Caminha, T. (2017). PIGMENTOCRACIA E A EXPERIÊNCIA DO PRETERIMENTO NA HOMOSSEXUALIDADE NEGRA. Cadernos De Linguagem E Sociedade, 18(2), 156–174. https://doi.org/10.26512/les.v18i2.5796