Edição Atual

v. 13 n. 3 (2025): Normatividade, Poder e Formas de Subjetivação
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O presente número da Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea reúne um conjunto de artigos que, embora diversos em seus objetos, tradições teóricas e recortes históricos, convergem em torno de um problema filosófico comum, a saber, a análise crítica das formas de normatividade que estruturam a ação, a subjetividade e o poder nas sociedades modernas e contemporâneas. Longe de constituir uma reunião fortuita de textos, os trabalhos aqui publicados interrogam, cada um à sua maneira, os modos pelos quais normas se constituem, se legitimam e se incorporam às práticas sociais, políticas e cognitivas. Em diferentes registros, os autores mostram que a normatividade não se reduz a um sistema abstrato de regras, mas opera como força histórica e material, capaz de produzir sujeitos, orientar condutas e justificar formas específicas de dominação ou emancipação.

Nesse sentido, Araújo observa que, no contexto contemporâneo, “a liberdade tornou-se ferramenta ideológica neoliberal para sustentar o autodesenvolvimento e criar figuras como o sujeito do desempenho, cuja infindável autossuperação estimula a produtividade e o consumo”. Em chave distinta, Lima sustenta que o desafio central reside em “conciliar a normatividade irredutível das práticas racionais humanas com sua inserção em uma história natural contingente”. Essa atenção comum às condições de possibilidade, aos efeitos e às ambivalências da normatividade confere unidade conceitual ao número e permite compreender os artigos como intervenções complementares em um mesmo campo problemático, ainda que sustentadas por perspectivas filosóficas distintas.

Ao reunir essas contribuições, este número da Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea pretende oferecer ao leitor não apenas um conjunto de estudos especializados, mas um espaço de reflexão articulada sobre problemas centrais do pensamento clássico e atual. A normatividade, longe de aparecer como tema circunscrito a um subcampo específico, revela-se aqui como questão transversal, decisiva para compreender as formas atuais de poder, liberdade e racionalidade. Ao explorar criticamente seus fundamentos, suas mediações e seus efeitos, os artigos reunidos contribuem para um debate filosófico que permanece aberto e urgente. Espera-se que a leitura do número estimule comparações, controvérsias e novos deslocamentos conceituais, reafirmando o papel da filosofia como exercício crítico de compreensão do presente.

Publicado: 20-02-2026
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