Afrofuturismo e suas traduções

2020-02-25

O afrofuturismo, movimento estético, narrativo e filosófico da afrodiáspora, foi assim nomeado em um texto de Mark Dery (1993), no qual o autor conversa com Samuel R. Delany (escritor de ficção especulativa), Greg Tate (crítico musical) e Tricia Rose (Professora da Universidade de Brown). O termo foi mais elaborado e discutido, em seguida, por Alondra Nelson (2002). No entanto, mais cedo no século XX (1950 – 1980), expoentes como Sun Ra, Lee “Scratch” Perry e George Clinton, mesclando música, cosmologia e ancestralidade, já delineavam o futurismo negro como uma declaração política, reivindicando tempos, narrações e representações. Esse movimento, que já ganhou outras vertentes e nomenclaturas (africanfuturism, jujufuturism, ancestrofuturismo), fabula o passado negro, reimagina sua condição presente e projeta futuros, a partir da ficção científica e especulativa, do realismo fantástico e de cosmologias não europeias, traçando laços entre literatura, música, performance, artes visuais e tecnologia.
Segundo Achille Mbembe (2016), os afrofuturistas se opõem abertamente ao humanismo ocidental que, para definir o "humano" delegou a certos seres, entidades, a posição de "não-humano", de objeto ou ferramenta. Para ele, o modo como os indivíduos não-brancos foram, e são, tratados já determinou um lugar de experiência prototípica para as elocubrações afro sobre as conjunções entre humano e objeto e tudo que está além do humano. Vemos, então, o devir filosófico negro se desenhar na especulação do futuro do presente provocador afrofuturista.

Considerando tal contexto estético e suas possibilidades de tradução, a presente edição da Belas Infiéis, com o intuito de aumentar a difusão das correntes estéticas afrofuturistas, convida os interessados no tema a contribuir com textos que tratem de sua tradução, nas mais diversas modalidades.

 

Buscamos artigos ou ensaios que tratem dos seguintes temas:

- tradução / versão de textos afrofuturistas;

- afrofuturismo e suas premissas como uma abordagem teórica possível para a tradução;

- adaptações ou releituras de obras afrofuturistas;

- panoramas sobre as traduções de textos afrofuturistas;

 

Além de:

- resenhas sobre obras afrofuturistas traduzidas;

- entrevistas com tradutores ou autores;

- traduções literárias sobre essa temática;

- artigos traduzidos que versem sobre essa temática.

*Traduções comentadas devem ser enviadas para a seção artigos e obedecer a seus critérios.

 

Prazo para envio de contribuições: 13 de setembro de 2020

 

Organizadoras:

Profa. Dra. Fernanda Alencar Pereira (UnB)

Dra. Kênia Cardoso Vilaça de Freitas (pós-doutoranda, Unesp)

Profa. Dra. Viviane Mendes de Moraes / Aza Njeri (UFRJ)