A preservação e a disseminação da história e cultura africana e afro-brasileira a partir do colecionismo nas unidades de informação no Brasil

Autores

  • Graziela dos Santos Lima Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências Departamento de Ciência da Informação, Marília, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0003-3861-2937
  • Cláudia Pereira de Jesus Carvalho Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências Departamento de Ciência da Informação, Marília, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0002-8362-4497
  • Carlos Cândido de Almeida Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências Departamento de Ciência da Informação, Marília, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0002-8552-1029

DOI:

https://doi.org/10.26512/rici.v13.n1.2020.29498

Palavras-chave:

Memória. Colecionismo. Cultura afro-brasileira. Identidade afro-brasileira. Ciência da informação.

Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo geral identificar a presença das coleções (de objetos e bibliográficas) que representem a história dos negros e as tradições culturais africanas no Brasil. Os  objetivos específicos consistem em discorrer sobre o colecionismo; discutir a preservação da memória e cultura africana e afro-brasileira, além de destacar as principais unidades de informação com coleções que representam a cultura africana e afro-brasileira. Considera-se que  a disseminação da memória africana e afro-brasileira é potencializada por essas coleções, pois colecionar artefatos e documentos que retratam a história e a cultura negra representa um ato de resistência e evidência das práticas culturais das populações negras. Tem uma abordagem teórico-bibliográfica, com propósito crítico e reflexivo pautado nas teorias do colecionismo e da memória. Foram identificadas dentro do contexto brasileiro por meio de mapeamentos as principais unidades de informações especializadas, a preservação em diversas tipologias de coleções que contribuem para conservação e fortalecimento da memória, história, cultura e identidade dos africanos e afro-brasileiros. Estas unidades colecionadoras podem ser assim classificadas: Centros de Estudos Africanos (6 instituições), Núcleos de Estudos Afro-brasileiros (139 instituições) e Museus afros (36 instituições), entre organizações públicas e privadas. Essas coleções são formadas por objetos informacionais que identificam períodos históricos, registrando um passado, o qual é recordado por meio da memória, intensificada pelos objetos, cujos significados, via representações, se fazem presentes na mente do indivíduo e dão sentido à experiência. Atreladas às informações orais, as coleções representam valiosas fontes de informação e conhecimento. Portanto, os registros como relatos, inventários, objetos museológicos funcionam como informações primárias para desvendar e representar histórias e culturas passadas preservando a memória das populações de origem africana no Brasil. Para as futuras pesquisas é importante selecionar um  museu privado para identificação dos objetos, reconstituição de sua origem e os significados tanto para o museu quanto para a comunidade ao seu redor.

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Biografia do Autor

Graziela dos Santos Lima, Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências Departamento de Ciência da Informação, Marília, SP, Brasil

Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) - Câmpus Marília, Mestra em Gestão de Unidade de Informação pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Graduada em Biblioteconomia - Habilitação em Gestão da informação. Integrante do grupo de pesquisa Fundamentos Teóricos da Informação (FTI). Possui interesse nas áreas: Organização e Representação da informação e Organização e Representação do Conhecimento, Bibliotecas especializadas, bibliotecas escolares, Temática Africana e Diáspora Africana nas Américas, Educação para Relações Raciais, assuntos relacionados aos NEABs,  Mulheres Negras, Estudos pós-coloniais e decoloniais.

Cláudia Pereira de Jesus Carvalho, Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências Departamento de Ciência da Informação, Marília, SP, Brasil

Discente do curso de Biblioteconomia na Faculdade de Filosofia e Ciências, da Universidade Estadual Paulista, Campus de Marília. Desenvolve pesquisa de Iniciação científica com apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Integrante do grupo de pesquisa Fundamentos Teóricos da Informação (FTI). Possui interesse nas áreas: Epistemologia da Ciência da Informação, Colecionismo, Organização do Conhecimento e Organização da Informação.

Carlos Cândido de Almeida, Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências Departamento de Ciência da Informação, Marília, SP, Brasil

Docente do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista, campus de Marília, com atuação nos cursos de Graduação em Arquivologia e Biblioteconomia e no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação - UNESP. Pós-Doutorado em Biblioteconomía y Documentación pela Universidad de Zaragoza, Espanha. Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista e Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina. Graduação em Biblioteconomia pela Universidade Estadual de Londrina. Coordenador do grupo de pesquisa Fundamentos Teóricos da Informação (FTI). Tem interesse nas áreas: Epistemologia da Ciência da Informação, Semiótica, Comunicação, Organização da Informação, Organização do Conhecimento e Mediação.

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Publicado

2020-02-04

Como Citar

Lima, G. dos S., Carvalho, C. P. de J., & Almeida, C. C. de. (2020). A preservação e a disseminação da história e cultura africana e afro-brasileira a partir do colecionismo nas unidades de informação no Brasil. Revista Ibero-Americana De Ciência Da Informação, 13(1), 223–238. https://doi.org/10.26512/rici.v13.n1.2020.29498