Maternidade, Política e Resistência

Reflexões Sobre a Categoria "Mãe de Vítima" e a Subversão da Lógica do Cuidado Materno

Autores

  • Carolina Silva Nogueira Universidade de Brasília

Palavras-chave:

desaparecimento de pessoas, maternidade, mãe de vítima, violência policial, resistência

Resumo

Este trabalho foca nos coletivos de mães e familiares que lutam por justiça pelos seus filhos mortos ou desaparecidos em decorrência de violência estatal, originada em chacinas no Rio de Janeiro em diferentes momentos históricos. De modo particular, o artigo promove reflexões acerca da centralidade da categoria “mãe”, sua legitimação no espaço público e resistência desenvolvida por mães pretas e mulheres militantes centradas nos papéis de cuidar. Discorre-se sobre contribuições antropológicas que tensionam a associação do corpo feminino ao trabalho de maternar. Igualmente, analisa-se como essas mães mobilizam a maternidade interrompida, através de estratégias discursivas e afetivas para dar sentido à participação política. Para isso, o artigo combina percepções dos depoimentos do documentário “Luto como Mãe”, pensando metodologicamente o audiovisual como objeto e agente ativo da pesquisa, juntamente com experiências de trabalho de campo em contato com o discurso militante de seus coletivos. Evidencia-se como esses movimentos, ao subverterem a lógica do determinismo biológico, mobilizam a maternidade interrompida como uma ferramenta de legitimação política e resistência.

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Biografia do Autor

Carolina Silva Nogueira, Universidade de Brasília

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGSA/UFRJ). Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB). E-mail: carolinanogueira1999@gmail.com.

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Publicado

12-12-2025

Como Citar

Nogueira, C. S. (2025). Maternidade, Política e Resistência: Reflexões Sobre a Categoria "Mãe de Vítima" e a Subversão da Lógica do Cuidado Materno. Revista Textos Graduados, 11(1), 43–54. Recuperado de https://periodicos.unb.br/index.php/tg/article/view/58399