Maternidade, Política e Resistência
Reflexões Sobre a Categoria "Mãe de Vítima" e a Subversão da Lógica do Cuidado Materno
Palabras clave:
desaparecimento de pessoas, maternidade, mãe de vítima, violência policial, resistênciaResumen
Este trabalho foca nos coletivos de mães e familiares que lutam por justiça pelos seus filhos mortos ou desaparecidos em decorrência de violência estatal, originada em chacinas no Rio de Janeiro em diferentes momentos históricos. De modo particular, o artigo promove reflexões acerca da centralidade da categoria “mãe”, sua legitimação no espaço público e resistência desenvolvida por mães pretas e mulheres militantes centradas nos papéis de cuidar. Discorre-se sobre contribuições antropológicas que tensionam a associação do corpo feminino ao trabalho de maternar. Igualmente, analisa-se como essas mães mobilizam a maternidade interrompida, através de estratégias discursivas e afetivas para dar sentido à participação política. Para isso, o artigo combina percepções dos depoimentos do documentário “Luto como Mãe”, pensando metodologicamente o audiovisual como objeto e agente ativo da pesquisa, juntamente com experiências de trabalho de campo em contato com o discurso militante de seus coletivos. Evidencia-se como esses movimentos, ao subverterem a lógica do determinismo biológico, mobilizam a maternidade interrompida como uma ferramenta de legitimação política e resistência.
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