Mulheres eleitas e capital político familiar na Câmara dos Deputados: uma análise da 56ª legislatura (2019-2023)

Main Article Content

Mayra Goulart da Silva
Vanilda Chaves
Laura Barbosa

Resumo

O artigo se insere no rol dos estudos sobre representação política de mulheres e analisa a presença de capital político familiar entre as deputadas federais eleitas para a Câmara dos Deputados no período que compreende a 56ª Legislatura (2019-2023). Inicialmente, as parlamentares foram posicionadas à esquerda, ao centro e à direita, de acordo com suas respectivas ideologias político-partidárias, mensuradas a partir de distintas metodologias. Em seguida, por meio das variáveis “raça/cor”, “escolaridade”, “estado civil”, “presença de filhos” e “estreantes na política”, traçou-se o perfil das eleitas, caracterizado por uma bancada feminina majoritariamente posicionada à direita, branca, altamente escolarizada, casada, com filhos e veterana na política. Por fim, a partir da variável “capital familiar”, constatou-se que o capital político de tipo familiar é um recurso que está presente na trajetória política das deputadas federais estudadas, sobretudo naquelas posicionadas à direita, embora também se mostre relevante para aquelas à esquerda.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Article Details

Como Citar
Silva, M. G. da ., Chaves, V. ., & Barbosa, L. (2023). Mulheres eleitas e capital político familiar na Câmara dos Deputados: uma análise da 56ª legislatura (2019-2023). Sociedade E Estado, 38(01), 95–124. https://doi.org/10.1590/s0102-6992-202338010004
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Mayra Goulart da Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGCS). Coordenadora do Laboratório de Partidos Eleições e Política Comparada (LAPPCOM) http://ppgcs.ufrrj.br/laboratorios-de-pesquisa/lappcom/

Vanilda Chaves, Universidade de São Paulo (USP)

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo (PPGS/USP). Mestra em Políticas Públicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC), com financiamento da FAPESP, e graduada em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

 

Laura Barbosa, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Doutoranda em Ciências Sociais na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). É mestra em Ciências Sociais e especialista em Relações de Gênero e Sexualidades: perspectivas interdisciplinares pela mesma instituição de ensino.

Referências

ALMEIDA, Débora Rezende de. Repensando representação política e legitimidade democrática: entre a unidade e a pluralidade. Tese (Doutorado em Ciência Política) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011.

ALVES, Alessandro Cavassin. A província do Paraná e sua Assembleia Legislativa (1853-1889): a força política das famílias tradicionais. Curitiba: Nova Letra, 2015.

ANDRADE, Ludmila Borges de. Carreira política e capital familiar no Brasil: a presença da família na política, para os deputados e deputadas federais eleitos(as), entre 1986 e 2014. Monografia (Bacharelado em Ciência Política) - Instituto de Ciência Política, Universidade de Brasília, 2019.

ARAÚJO, Clara. Partidos políticos e gênero: mediações nas rotas de ingresso das mulheres na representação política. Revista de Sociologia e Política, v. 24, 2005.

______. Potencialidades e limites da política de cotas no Brasil. Revista Estudos Feministas, v. 9, n. 1, 2001.

AVANZA, Martina. Using a feminist paradigm (intersectionality) to study conservative women: the case of pro-life activists in Italy. Politics & Gender, v. 16, 2020.

BARBOSA, Laura Gomes. A representação substantiva de mulheres à luz da teoria construtivista: potencialidades e limitações para a análise empírica. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) - Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2019.

BIROLI, Flávia; AVRITZER, Leonardo. Esquerda e eleições de 2020. Observatório das Eleições, 1 dez. 2020.

BIROLI, Flávia; MACHADO, Maria das Dores Campos; VAGGIONE, Juan Marco. Gênero, neoconservadorismo e democracia. São Paulo: Boitempo, 2020.

BOLOGNESI, Bruno; RIBEIRO, Ednaldo; CODATO, Adriano. Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros. Dados, v. 66, 2022.

BOURDIEU, Pierre. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 9. ed., 2008.

CANÊDO, Letícia Bicalho. Caminhos da memória: parentesco e poder. Revista Textos de História, v. 2, n. 3, p. 85-122, Brasília, 1994.

CELIS, Karen. Studying women’s substantive representation in legislatures: when representative acts, contexts and women's interests become important. Representation, v. 44, n. 23, 2008.

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, v. 10, n. 1, 2002.

DOVI, Suzanne. The good representative. Hoboken, NJ: Blackwell Publishing, 2007.

FOX, Richard; LAWLESS, Jennifer. Entrando na arena? Gênero e a decisão de concorrer a um cargo eletivo. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 8, 2012.

FRASER, Nancy; JAEGGI, Rahel. Capitalismo em debate: uma conversa na teoria crítica. São Paulo: Boitempo, 2020.

GAYER, Eduardo; ZVARICK, Leonardo; PANNUNZIO, Pedro. Entre as deputadas federais eleitas, consenso só no que já é consenso. O Estado de S. Paulo, 11 dez. 2018. Disponível em: <https://arte.estadao.com.br/focas/capitu/materia/entre-as-deputadas-federais-eleitas-consenso-so-no-que-ja-e-consenso>.

» https://arte.estadao.com.br/focas/capitu/materia/entre-as-deputadas-federais-eleitas-consenso-so-no-que-ja-e-consenso

GOULART, Mônica Helena Harrich Silva. Assembleia Legislativa do Paraná: a força das linhagens políticas e das relações de parentesco. Revista NEP-UFPR, v. 3, n. 3, p. 175-194, ago. 2017.

GROSSI, Miriam Pillar; MIGUEL, Sônia Malheiros. Transformando a diferença: as mulheres na política. Revista Estudos Feministas, v. 9, n. 1, p. 167-200, 2001.

JORGE, Vladimyr Lombardo; FARIA, Alessandra Maia Terra de; SILVA, Mayra Goulart da. Posicionamento dos partidos políticos brasileiros na escala esquerda-direita: dilemas metodológicos e revisão da literatura. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 33, 2020.

KRIZSAN, Andrea; SKJEIE, Hege; SQUIRES, Judith. Institutionalizing Intersectionality: the changing nature of European equality regimes. London: Palgrave Macmillan, 2012.

LACERDA, Marina Basso. O novo conservadorismo brasileiro: de Reagan a Bolsonaro. Porto Alegre: Zouk, 2019.

LOWNDES, Vivien. How are political institutions gendered? Political Studies, v. 68, n. 3, p. 543-564, 2020.

MACKAY, Fiona. “Thick” conceptions of substantive representation: women, gender and political institutions. Representation, v. 44, n. 2, p. 125-139, 2008.

MANSBRIDGE, Jane. Should blacks represent blacks and women represent women? A contingent “yes”. The Journal of Politics, v. 61, n. 3, 1999.

MARQUES, Danusa. Carreiras políticas e desigualdades: elementos para uma crítica feminista do campo político. BIB, n. 95, 2021.

MARX, Jutta; BORNER, Jutta; CAMINOTTI, Mariana. Las legisladoras: cupo de género y política en Argentina. Buenos Aires: Instituto Torcuato di Tella; UNDP Argentina; Siglo XXI, 2007.

MELO, Jéssica; SILVA, Mayra Goulart. Deputadas federais eleitas em 2018: uma análise interseccional sobre a representação política de mulheres. No prelo.

MIGUEL, Luis Felipe. O mito da “ideologia de gênero” no discurso da extrema direita brasileira. Cadernos Pagu, n. 62, 2021, :e216216.

______. Parentesco e representação política: a força do capital político familiar na 54ª Legislatura no Congresso Nacional. Revista Núcleo de Estudos Paranaenses, v. 2, n. 2, 2016.

______. Perspectivas sociais e dominação simbólica: a presença política das mulheres entre Iris Marion Young e Pierre Bourdieu. Revista de Sociologia e Política, v. 18, n. 36, 2010.

______. Capital político e carreira eleitoral: algumas variáveis na eleição para o Congresso brasileiro. Revista de Sociologia e Política, n. 20. p. 115-134, 2003.

MIGUEL, Luis Felipe; MARQUES, Danusa; MACHADO, Carlos. Capital familiar e carreira política no Brasil: gênero, partido e região nas trajetórias para a Câmara dos Deputados. Dados, v. 58, n. 3, 2015.

MIGUEL, Luis Felipe; BIROLI, Flávia. Práticas de gênero e carreiras políticas: vertentes explicativas. Revista Estudos Feministas, v. 18, n. 3, 2010.

MIGUEL, Luis Felipe; QUEIROZ, Cristina M. Diferenças regionais e o êxito relativo de mulheres em eleições municipais no Brasil. Revista Estudos Feministas, v. 14, n. 2, p. 363-385, maio-ago., 2006.

MONTEIRO, José Marciano; ALMEIDA, Cosma Ribeiro de. Parentesco, poder político e representação feminina na 55ª Legislatura na Câmara Federal. In: OLIVEIRA, Ricardo Costa de (Org.). Nepotismo, parentesco e mulheres. Curitiba: Urbi et Orbi, 2016.

MORITZ, Maria Lúcia. Familismo e gênero no Congresso brasileiro (2006-2014). Anais Eletrônicos do Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress, Florianópolis, 2017.

NOËL, Alain; THÉRIEN, Jean-Philippe. Left and right in global politics. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2008.

NORRIS, Pippa. Recrutamento político. Revista de Sociologia e Política, v. 21, n. 46, 2013.

OLIVEIRA, Ricardo Costa. Nepotismo, parentesco e mulheres. Curitiba: Urbi et Orbi, 2016.

______. Na teia do nepotismo: sociologia política das relações de parentesco e poder político no Paraná e no Brasil. Curitiba: Insight, 2012.

OLIVEIRA, Ricardo Costa; GOULART, Mônica Helena Harrich Silva; VANALI, Ana Chris­tina; MONTEIRO, José Marciano. Família, parentesco, instituições e poder no Brasil: retomada e atualização de uma agenda de pesquisa. Revista Brasileira de Sociologia, v. 5, n. 11, 2017.

PERISSINOTTO, Renato Monssef; MIRÍADE, Angel. Caminhos para o Parlamento: candidatos e eleitos nas eleições para deputado federal em 2006. Dados, v. 52, n. 2, 2009.

PHILLIPS, Anne. De uma política de ideias a uma política de presença? Estudos Feministas, v. 9, n. 1, p. 268-290, 2001.

PINHEIRO, Luana Simões. Vozes femininas na política: uma análise sobre mulheres parlamentares no pós-Constituinte. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2007.

PITKIN, Hanna Fenichel. The concept of representation. Berkeley; Los Angeles, CA: University of California Press, 1967.

PRÁ, Jussara Reis. Cidadania de gênero, democracia paritária e inclusão política das mulheres. Gênero na Amazônia, n. 4, Belém, jul./dez. 2013.

RAMOS, Luciana de Oliveira et al. Candidatas em jogo: um estudo sobre os impactos das regras eleitorais na inserção de mulheres na política. São Paulo: FGV Direito SP, 2020.

RESENDE, Roberta Carnelos; EPITÁCIO, Sara de Sousa Fernandes. Mulheres à esquerda e à direita: carreiras políticas e partidos. In: OLIVEIRA, Ricardo Costa de (Org.). Nepotismo, parentesco e mulheres. Curitiba: Urbi et Orbi, 2016.

REZENDE, Daniela Leandro. Qual o lugar reservado às mulheres? Uma análise generificada de comissões legislativas na Argentina, no Brasil e no Uruguai. Tese (Doutorado em Ciência Política) - Programa de Pós-Graduação em Ciência Política, Universidade Federal de Minas Gerais, 2015.

SACCHET, Teresa. Partidos políticos e (sub)representação feminina: um estudo sobre recrutamento legislativo e financiamento de campanhas. In: PAIVA, Denise (Org.). Mulheres, política e poder. Goiânia: Cânone Editorial; Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás, 2011.

SALLES, Nara. Do paradoxo à competição: o lugar da dimensão programática nas disputas eleitorais. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 32, p. 93-133, maio/ago. 2020.

SARTORI, Giovanni. Partidos e sistemas partidários. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

SQUIRES, Judith. The constitutive representation of gender: extra-parliamentary representations of gender relations. Representation, v. 44, n. 2, p. 187-204, 2008.

STOKES, Donald. Spatial models of party competition. American Political Science Review, v. 57, n. 2, p. 368-377, 1963.

VASCONCELOS, Alissa Kabichenko de. Dinastias políticas e gênero: uma análise das deputadas federais da 55ª legislatura (2015-2019). Monografia (Bacharelado em Sociologia) - Departamento de Sociologia, Universidade de Brasília, Brasília, 2018

YOUNG, Iris Marion. Representação política, identidade e minorias. Lua Nova, v. 67, São Paulo, 2006.

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.