GAMIFICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE NO ENSINO DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DA PROPOSTA DIDÁTICA "DESAFIO ECOFÍSICA SOBRE RODAS"
DOI:
https://doi.org/10.26512/rpf.v10i1.60897Palavras-chave:
Ensino de Física. Metodologias Ativas. Gamificação. Role-Playing Game. Sustentabilidade.Resumo
O ensino de Física enfrenta o desafio contínuo da descontextualização, tornando as metodologias ativas uma alternativa pedagógica promissora. O presente trabalho analisa as potencialidades e limitações da proposta didática gamificada: "Desafio EcoFísica sobre Rodas", que utiliza o Role-Playing Game (RPG) para articular conceitos de Dinâmica à temática da sustentabilidade. A pesquisa, de natureza qualitativa e caráter exploratório, foi desenvolvida com 18 estudantes do 1º ano do Ensino Médio da Escola Cidadã Integral Técnica Cristiano Cartaxo (Cajazeiras, PB), no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). A coleta de dados, realizada em uma sessão de 90 minutos, utilizou notas de campo e gravações em áudio da aplicação dos três cenários narrativos, que exigiam a aplicação de conceitos de força centrípeta, plano inclinado e equilíbrio de torques para a tomada de decisões com impacto ambiental. Os resultados indicam que a abordagem possui potencial para promover o engajamento dos estudantes, transformando alunos em participantes ativos no processo de ensino e aprendizagem. Observou-se que os estudantes estabeleceram conexões significativas entre os conceitos científicos e suas experiências cotidianas. A atividade fomentou também o pensamento crítico que transcendeu a estrutura binária do jogo. Conclui-se que a proposta didática se mostrou uma ferramenta pedagógica potente para conectar a Física a problemas relacionados à sustentabilidade. Além disso, evidenciou-se que as dificuldades dos alunos com os cálculos matemáticos e a estrutura binária das escolhas constituem limitações que precisam ser aprimoradas em futuras aplicações.
Downloads
Referências
ALVES, F. Gamification: como criar experiências de aprendizagem engajadoras. São Paulo: DVS Editora, 2015.
ALVES, R. V. A jornada dos alelos: impactos da utilização do RPG como metodologia ativa-imersiva no ensino de genética. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2023.
AMARAL, E.; BASTOS, F. O caráter cooperativo do Role Playing Game (RPG) na Educação em Ciências. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS, 8., 2011, Campinas. Anais [...] Campinas: ABRAPEC, 2011.
BARBOSA, E. F.; MOURA, D. G. Metodologias ativas de aprendizagem na educação profissional e tecnológica. Boletim Técnico do Senac, Rio de Janeiro, v. 39, n. 2, p. 48-67, 2013.
BARBOZA, C. G.; ALVES, M. F. S. RPG gamificado: utilizando o RPG pedagógico como atividade gamificada para o ensino de Física. Revista do Professor de Física, v. 8, n. 1, p. 90-103, 2024. doi: <https://doi.org/10.26512/rpf.v8i1.53296>.
BITTENCOURT, J. R.; GIRAFFA, L. M. Modelando ambientes de aprendizagem virtuais utilizando role-playing games. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO (SBIE), 14., 2003, Rio de Janeiro. Anais [...] Porto Alegre: SBC, 2003. p. 683-692.
BOGDAN, R.; BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora, 1994.
BORGES, T. S.; ALENCAR, G. Metodologias ativas na promoção da formação crítica do estudante: o uso das metodologias ativas como recurso didático na formação crítica do estudante do ensino superior. Cairu em Revista, v. 3, n. 4, p. 119-143, 2014.
BRASIL. Lei n◦ 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, p. 1, 28 abr. 1999.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018.
GEE, J. P. Bons video games e boa aprendizagem. Perspectiva, v. 27, n. 1, p. 167-178, 2009. doi: <https://doi.org/10.5007/2175-795X.2009v27n1p167>.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.
GOMES, D. O. Manual básico de regras: o uso do role-playing game (RPG) como uma ferramenta didática no ensino da dinâmica na física na educação básica. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2024.
GRANDO, A.; TAROUCO, L. M. R. O uso de jogos educacionais do tipo RPG na educação. RENOTE, v. 6, n. 1, 2008. doi: <https://doi.org/10.22456/1679-1916.14403>.
GUSC, J.; VAN VEEN-DIRKS, P. Accounting for sustainability: an active learning assignment. International Journal of Sustainability in Higher Education, v. 18, n. 3, p. 329-340, 2017. doi: <https://doi.org/10.1108/IJSHE-11-2015-0185>.
KAPP, K. M. The gamification of learning and instruction: game-based methods and strategies for training and education. San Francisco: Pfeiffer, 2012.
KOEHLER, S. M. F. Inovação Didática-Projeto de Reflexão e Aplicação de Metodologias Ativas de Aprendizagem no Ensino Superior: uma experiência com peer instruction. Janus, Lorena, v. 9, n. 15, p. 75-87, 2012.
LIMA, V. V. Constructivist spiral: an active learning methodology. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 21, n. 62, p. 421-434, 2017. doi: <https://doi.org/10.1590/1807-57622016.0316>.
LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MARCONDES, F. K. et al. A puzzle used to teach the cardiac cycle. Advances in Physiology Education, v. 39, n. 1, p. 27-31, 2015. doi: <https://doi.org/10.1152/advan.00116.2014>.
MARINS, E. S. O Role Playing Game (RPG) como ferramenta pedagógica no ensino de Ciências. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2023.
McGONIGAL, J. A realidade em jogo: por que os jogos nos tornam melhores e como eles podem mudar o mundo. Rio de Janeiro: Best Seller, 2012.
MELO, B. C.; SANT’ANA, G. A prática da Metodologia Ativa. Comunicação em Ciências da Saúde, Brasília, v. 23, n. 4, p. 327-339, 2012.
MELO, W. S. Uma proposta de ensino de Astronomia por meio de um jogo em RPG Maker. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2021.
MICOTTI, M. C. O. O ensino e as propostas pedagógicas. In: BICUDO, M. A. Pesquisa em educação matemática: concepções e perspectivas. São Paulo: UNESP, 1999. p. 153-184.
NASCIMENTO-JUNIOR, F. A.; PIASSI, L. P. Role-playing games nas aulas de física. Revista de Enseñanza de la Física, v. 27, n. esp., p. 675-681, 2015.
NASCIMENTO-JUNIOR, F. A.; PIETROCOLA, M. O papel do RPG no ensino de Física. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIA, 5., 2005, Bauru. Anais [...] Bauru: ABRAPEC, 2005.
OLIVEIRA, J. K. C.; PIMENTEL, F. S. C. Epistemologias da gamificação na educação: teorias de aprendizagem em evidência. Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade, v. 29, n. 57, p. 236-250, 2020. doi: <https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2020.v29.n57.p236-250>.
ONU. Transformando nosso mundo: a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Nova York: ONU, 2015. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/>. Acesso em: 10 nov. 2025.
PAGANINI, É. R.; BOLZAN, M. S. Ensinando Física através da Gamificação. In: ENCONTRO CIENTÍFICO DE FÍSICA APLICADA, 7., 2016, Sorocaba. Anais [...] São Paulo: Blucher, 2016. v. 3, p. 16-20.
PEREIRA, R. Método ativo: técnicas de problematização da realidade aplicada à Educação Básica e ao Ensino Superior. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL EDUCAÇÃO E CONTEMPORANEIDADE, 6., 2012, São Cristóvão. Anais [...] São Cristóvão: UFS, 2012.
PRENSKY, M. Digital game-based learning. Computers in Entertainment (CIE), v. 1, n. 1, p. 21-21, 2003. doi: <https://doi.org/10.1145/950566.950596>.
SÁ, C. D.; PAULUCCI, L. Desenvolvimento de um sistema de RPG para o ensino de Física. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 43, p. e20210005, 2021.
SILVA, C. T. Proposta de sequência didática sobre eletromagnetismo: RPG promovendo educação científica. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2024.
SILVA, C. T.; MATOS, E. A. Proposta de sequência didática sobre eletromagnetismo: RPG promovendo educação científica. Humanidades & Inovação, v. 11, n. 8, p. 257-272, 2024.
SILVA, J. B.; SALES, G. L.; CASTRO, J. B. Gamificação como estratégia de aprendizagem ativa no ensino de Física. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 41, n. 4, p. e20180309, 2019. doi: <https://doi.org/10.1590/1806-9126-RBEF-2018-0309>.
SILVA, P. H. S. O Role-playing game (RPG) como ferramenta para o ensino de Física. Tese (Doutorado) Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.
SOUZA, M. R. V. B. et al. Uma proposta para o uso de RPG no Ensino de Física: A Vingança de Newton. Jornal Mato-Grossense de Física, Cuiabá, v. 7, n. 2, art. 11, 2024. doi: <https://doi.org/10.59396/29651964JMFis.7-2.11.2024>.
STUDART, N. A gamificação como design instrucional. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 44, p. e20210362, 2022.
URIAS, G. M. P. C.; AZEREDO, L. A. S. Metodologias ativas nas aulas de Administração Financeira: alternativa ao método tradicional de ensino para o despertar da motivação intrínseca e o desenvolvimento da autonomia. Administração: Ensino e Pesquisa, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 39-67, 2017.
ZABALA, A. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta para o currículo escolar. Porto Alegre: Artmed, 2002.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista do Professor de Física

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License o que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).

